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Archive for 2 de Maio, 2017

O meu artigo de hoje no diário Incentivo:

NA AMPLIAÇÃO DA PISTA VASCO CORDEIRO TEM O DEVER DE CORRIGIR OS ERROS

A reivindicação do aumento do atual comprimento da pista do aeroporto da Horta tem décadas. Não é casual que o Presidente do Governo dos Açores em 2001, Carlos César, prometia no Faial aos Faialenses que “se o Governo da República ou a empresa ANA não ampliarem a pista do aeroporto da Horta, o Governo Regional assumirá essa obra”. Tal garantia do líder deste governo só foi feita porque já então nesta ilha se reivindicava, e muito, a ampliação da pista.

Curiosamente, à data desta promessa, o Presidente da República, o Primeiro-ministro, o Presidente do Governo dos Açores e o Presidente da Câmara Municipal da Horta eram todos do PS, e ninguém deste partido colocou em questão que o compromisso para colmatar a não execução da obra por parte da ANA, uma empresa então pública dependente do Governo de Portugal, corresponderia a colocar os Açorianos a pagar por um erro do então Governo da República do mesmo partido de que Carlos César e Vasco Cordeiro faziam e fazem parte.

A razão porque nesse momento ninguém em nenhuma ilha levantou a questão foi porque então na Região a solidariedade inter-ilhas ainda era um conceito prevalecente da estratégia autonómica dos Açores, infelizmente, esta foi sendo substituída pelo interesse político de concentrar de preferência os investimentos públicos na terra que reunia a maior dimensão eleitoral Arquipélago, reforçando ainda mais o poder económico e político dessa parcela e aumentando o fosso da capacidade reivindicativa, da competitividade e da desertificação populacional entre as ilhas menores e a maior e ainda ampliado com a mudança dos critérios de eleição do parlamento que foram no sentido de dar mais peso aos que são grandes face aos mais pequenos.

Desde 2001 houve várias mudanças partidárias em Portugal: houve Presidentes vindos das áreas socialista e social-democrata; houve Primeiros-ministros e Ministros vindos do PS, do PSD, do CDS e independentes, mas a nível nacional só me lembro de Santana Lopes ter garantido apoiar este projeto se continuasse governo; e temos agora um Governo da República rosa que só subsiste com o apoio parlamentar da CDU e do BE. Só as Câmaras Municipais da Horta e os Governos dos Açores nunca deixaram de ser presididos pelo PS, nem foi ampliada a pista do aeroporto no Faial, apesar de ser uma reivindicação já com quase duas décadas e feita perante tanta gente.

Assim, é possível dizer que neste momento não há partido na Assembleia Regional que não tenha uma parcela de culpa por a reivindicação da pista da Horta nunca ter sido atendida: uns porque no Governo na República ou nos dos Açores nunca levaram em frente este compromisso, outros porque maioritários nos parlamentos ou no Município nunca conseguiram obrigar os Governos dos Açores, da República, a ANA ou a Vinci e executar esta obra reivindicada pelos Faialenses.

É verdade que a ANA foi privatizada, mas é um mito tal impedir agora a ampliação da pista. A Vinci pode explorar a infraestrutura, mas o aeroporto é nosso e somos nós Faialenses que precisamos do seu aumento, não aquela empresa. O que temos é um problema político, não técnico, e quem está no poder, se quiser, pode resolvê-lo. Veja-se o que se está a passar em Lisboa: apesar do aeroporto estar sob a exploração da mesma Vinci o Governo assume obras noutra pista para tirar aviões ao dono da ANA. Assim, argumentar com a privatização é desculpa de quem quer fugir às suas responsabilidades neste processo ou preconceito. Algo que os Faialenses dispensam.

É verdade que as oposições nom Município da Horta e os seus deputados de ilha nunca pararam de reivindicar esta ampliação, mesmo quando expostos à acusação de que o Governo da República era da mesma cor. Há muitos votos de protesto, questões e moções a provar isso, mas mesmo sem ser atendidos por quem tinha mais poder, têm a consciência limpa para continuar a reivindicar.

Também é verdade que apesar de nos últimos anos o PS-Faial ter andado a desculpar o Governo dos Açores e a concentrar as culpas em Passos Coelho, nos meses mais recentes o Presidente da Câmara da Horta uniu-se ao coro dos que sempre reivindicam esta obra e criou um grupo de trabalho com pessoas que deram um contributo para uma alternativa mais barata para este objetivo.

O último grande ataque que a intenção Faialense teve foi a recente declaração de Vasco Cordeiro em resposta a um pedido na ALRAA para se comprometer com todos os potenciais responsáveis na execução deste projeto, respondendo “não querer os Açorianos a pagarem por um erro e por uma falha” do anterior governo da república. Como se Guterres, Durão, Santana, Sócrates e agora Costa e, sobretudo, ele mesmo como legítimo herdeiro da promessa de Carlos César, não estivessem todos em falta para com esta ilha. Pior, disse ter falado com o atual Primeiro-ministro, mas vê-se que o líder do Governo dos Açores também nada conseguiu deste e com esta atitude não se solidarizou com o esforço do atual Presidente da Câmara da Horta que se recandidata pelo seu partido que ele preside e ainda deu uma machadada na solidariedade dos Açorianos das outras ilhas com um mau argumento para recusarem vincular-se à reivindicação dos Faialenses.

Vasco Cordeiro não quis ver os 17 anos de erros, quis concentrar todas as culpas na privatização da ANA para se descomprometer com a maior reivindicação dos Faialenses, fugir à sua obrigação e esconder a sua culpa de desvincular-se do não cumprimento da já longa promessa do Governo dos Açores que ele legitimamente herdou do seu antecessor.

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