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Archive for 5 de Abril, 2017

Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

PISTA: AGORA, O IMPORTANTE, É FICARMOS UNIDOS

Não sou entendido em aeronáutica nem em infraestruturas aeroportuárias, mas o grupo de trabalho criado para estudar a ampliação da pista da Horta possui elementos que sabem da matéria para eu acreditar que as conclusões a que chegou mereçam confiança.

Uma das conclusões dá um grande golpe ao argumento do custo excessivo para se ampliar a pista com o fim de se alcançar as condições de segurança e de operacionalidade adequadas às necessidades e anseios dos Faialenses, bem como acabar com as limitações de carga e passageiros que os aviões que realizam os voos para fora dos Açores têm estado sujeitos neste aeroporto. Efetivamente, alcançar o mesmo objetivo por 34,5 milhões de euros em vez dos anteriormente anunciados 75 milhões é uma redução superior a cinquenta por cento do preço.

Não opino sobre as várias alternativas estudadas pelo grupo de trabalho, volto a deixar isso aos entendidos, pois o importante é encontrar uma solução que satisfaça as necessidades das populações desta região dos Açores em condições de segurança e com os menores custos financeiros e de impactes ambientais possíveis, mas sempre sem comprometer os objetivos. Agora o Município da Horta possui um documento base sério para defender os interesses dos seus Munícipes.

Neste momento todos os beneficiários desta infraestrutura têm de estar unidos na luta para que este objetivo se concretize, pois não faltam adversários a esta obra e muitos têm um peso político e económico elevado para que se esteja perante um confronto semelhante ao de David e Golias. Mas, como se sabe, naquela batalha foi a inteligência e a persistência que permitiu ao mais fraco e inexperiente ganhar ao mais forte. Assim, espero que agora também sejam os Faialenses a alcançar a vitória perante todos os que tudo têm feito para que a ampliação da pista do aeroporto da Horta não se concretize. Já vimos manipulação de estatísticas por entidades públicas, incumprimento da palavra dada por políticos, ofensas de grupos organizados nas redes sociais e a exploração de divisionismos inter-ilhas, tudo isto só para que faltem condições para este projeto não ir em frente.

Isto porque o Triângulo unido tem um potencial de atratividade turística que assusta muita gente que prefere destruir a união entre as ilhas do Faial, Pico e São Jorge para que esta sub-região dos Açores fique enfraquecida e manietada aos interesses económicos de parcelas mais populosas e económica e politicamente mais fortes e influentes.

Este receio tem levado ao uso a argumentos que vão desde o custo, à inutilidade do investimento, às dificuldades técnicas e até à exploração de animosidades partidárias, bairrismos no seio do Triângulo e manipulações cujo único fim é boicotar a concretização desta pretensão.

Nada tenho a opor que, em paralelo, se invista em outro aeroporto no Triângulo, pois, potenciar a complementaridade das infraestruturas aqui existentes assegura melhor que quem tenha como destino esta sub-região dos Açores consiga de facto cá chegar, sem ter de ser frequentemente desviado para outras zonas que lhe são concorrenciais que até incentivam (com o nosso dinheiro) a preferirem esses locais em alternativa a vir diretamente para o Faial, Pico e São Jorge.

É importante que os interessados no Triângulo possam chegar de facto a estas três ilhas com baixo risco de desvios ou de custos acrescidos. Mas com este trabalho os obstáculos não vão diminuir: quanto maiores e melhores forem os nossos trunfos os nossos argumentos, maior será a adversidade cultivada pelos opositores do Triângulo a enfrentar e, para alguns deles, tudo vale.

O Município da Horta também não pode agora sentir que já cumpriu o seu dever de liderança e acobardar-se perante estas forças exteriores. Na verdade, neste momento tem é de usar toda a sua capacidade para vencer os falsos argumentos: financeiros, de que o investimento pode não ser rentável; ideológicos, de que a infraestrutura é privada e não pode ser alvo de dinheiro público; divisionistas, de que deve ser apenas um aeroporto no Triângulo que deve ficar noutra ilha; de competência legal, que deve ser a ANA, ou o Governo de Lisboa para desresponsabilizar o dos Açores; ou mesmo de pressão partidária, para eleitos locais desta ilha não perderem o apoio de âmbito regional; ou outro subterfúgio qualquer; pois todos eles são ultrapassáveis se houver vontade e coragem de quem lidera os destinos do Faial para utilizar o presente momento para se alcançar este objetivo antes das próximas eleições, pois deixar para depois é porque fomos alvo de mais um embuste que até despudoradamente se serviu de Faialenses técnicos, sérios e competentes.

A partir de 1 de outubro sem uma vitória irreversível nesta matéria fica claro que assistimos agora apenas a mais um foguetório político para iludir os que se deixam enganar pelo fogo de artifício efémero, abrem a boca pasmados pelo brilho, mas deixam passar a oportunidade sem saírem da mediocridade. Espero que assim unidos e sem receios se alcance a tempo o objetivo de ampliação da pista para bem do Faial e do Triângulo. Aproveito para desejar um boa Páscoa a todos os leitores.

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