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Archive for 18 de Outubro, 2016

O meu artigo de hoje publicado no diário Incentivo:

OS AÇORIANOS ESCOLHERAM A CONTINUIDADE MAS OS FAIALENSES DISSERAM: BASTA!

Sempre tive consciência de que quando escrevia e pensava que o Faial ao longo dos últimos anos fora desfavorecido em investimento público face a outras ilhas da Região estava implícito que considerava que, pelo menos em termos de construção de projetos, nessas terras favorecidas do Arquipélago as suas populações poderiam ter razões para estar satisfeitas com o Governo dos Açores, pelo que se não votassem no partido que o apoiava é porque teriam outras razões de descontentamento diferentes das desta ilha tão prejudicada.

Assim, não estranhei que nas ilhas onde o Governo anterior fez mais investimentos e onde vivem mais Açorianos o PS-Açores fosse a força política mais votada nas legislativas do passado domingo. Não era coerente eu dizer que essas terras estavam a ser favorecidas em relação à minha e depois esperar que por lá a população também estivesse tão descontente como eu.

Todavia e olhando para o passado, já não era a primeira vez que o Faial após ser maltratado pelo Governo dos Açores vi aqueles que trataram mal os Faialenses ou os de cá que não nos defenderam não tinham sido punidos eleitoralmente pela maioria dos residentes nesta ilha, por isso tinha dúvidas se a população desta Terra tinha coragem de dizer: Basta de maus-tratos! Mas ao contrário do passado, desta vez dois em cada três dos votantes desta ilha disseram: Basta!

Efetivamente o Faial tem sido prejudicado face a outras terras do Arquipélago e muitos Faialenses tinham-se acomodado ao mau tratamento dado a esta ilha ou tinham-se deixado enganar, permitindo assim que esta situação continuasse impune.

Como não são os votos em urnas que validam as ideias ou condicionam o meu carácter, mesmo nas derrotas continuei a falar em defesa do Faial e agora penso continuar com a mesma persistência de sempre e insistirei nos projetos que considero fundamentais para esta ilha, nomeadamente: a melhoria das ligações aéreas e das condições de segurança da pista da Horta, como os dois principais problemas que condicionam a economia da ilha; a alertar para que se assegure que as obras encolhidas no porto não comprometem a sua operacionalidade futura; a reivindicar a variante para que o centro da cidade fique mais disponível para os peões e não sirva de zona principal de passagem do trânsito do lado sul para o norte da ilha e assim melhorar a qualidade de vida das pessoas na Horta e ainda continuarei a reclamar por investimentos económicos geradores de emprego que permitam às novas gerações ter trabalho para que aqui possam viver em condições dignas de forma sustentável. Sem esquecer outros como as valências do hospital, etc.

Contudo saber que dois terços dos votantes Faialenses estão descontentes com o facto de o Faial estar a ser maltratado e de ainda terem tido coragem de punir nas urnas quem tem votado contra os protestos pelo mau serviço da Azores Airlines, votado contra moções por lembrarem que a nossa Câmara deve liderar a defesa da nossa ilha e ainda desculpar o não atendimento das justas reivindicações de investimentos e promessas para esta Terra devido a diretrizes partidárias ou do Governo dos Açores, remetendo para segundo plano a defesa da população local, o último resultado eleitoral dá força a todos aqueles, todos mesmo, que têm mobilizado gente, levantado a voz, trabalhado e escrito em diversos locais, inclusive nos órgãos competentes onde estavam legitimamente eleitos como oposição para a necessidade do PS mudar de atitude em relação à cidade e a todo o concelho da Horta.

Na realidade muita da arrogância que vi resultou da impunidade dos eleitos como representantes dos Faialenses serem os porta-vozes e desculpadores do desinvestimento e maus-tratos que eram dados pelo poder ao Faial, precisamente vindo daqueles que tinham maior obrigação de defendê-lo, por terem mais força. Felizmente o povo Faialense numa esmagadora maioria agora disse: Basta!

Espero que aqueles que antes não foram punidos mudem agora de atitude sem retaliarem por terem sido justamente castigados, um cenário possível que receio e não elimino, desejo antes que vejam neste resultado uma forma de se redimirem e comecem finalmente a defender sem pruridos o Faial.

Não me custa colaborar com quem pensa ideologicamente diferente de mim ou pertence a um partido distinto se tal for em prol da minha terra. Mas doía ver a vanglória daqueles que maltrataram esta terra por se sentirem sempre perdoados pelos Faialenses dos seus maus-tratos ao Faial, usando o argumento das suas sucessivas vitórias mesmo após o mau serviço prestado à nossa ilha azul.

Não há motivo para baixar os braços na luta pela defesa do Faial, mas agora sabemos que o Faialense quer estar com aqueles que nesta ilha se esforçam para que as justas reivindicações desta terra se concretizem e espero que todas as forças política coloquem este objetivo como prioridade absoluta, sobretudo aquela que perdeu neste círculo e ganhou ao nível Açores, até porque tem um ano para demonstrar de que é capaz de reverter o mal que já permitiu e assim compensar o Faial.

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