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Archive for 24 de Agosto, 2016

O meu artigo de opinião publicado ontem no diário Incentivo:

FUGA NA HORA DE ASSUMIR AS CULPAS

Não sofro de ansiedade em julgar para já o Governo de António Costa sobre a eficácia da sua estratégia de retirar Portugal da crise em que o País está mergulhado desde os pacotes de austeridade dos PEC, ainda na era Sócrates, que depois prosseguiu na era da troika na subserviência de Passos Coelho. Espero com calma para ver como isto vai acabar e a seu tempo se saberá.

Contudo, há um comportamento que me está a irritar no Governo de António Costa: a sua autodesresponsabilização nos problemas que persistem sem resolução e o não assumir das culpas da falta de ética política dos seus membros, em contraste com a desfaçatez em chamar a si o sucesso de coisas boas, até as que já vinham do passado. Este executivo tornou-se um perito em assacar louros do positivo e em refutar o que de negativo vai acontecendo sob a sua governação. Decorridos nove meses de poder, está na altura de começar, não apenas a assumir louros, mas também as consequências dos seus atos e de ser coerente nas comparações que se faz com o passado.

O atual Governo orgulha-se da redução do desemprego e isto é bom para o Portugueses, mas a verdade é que há mais de um ano atrás que o desemprego vinha progressivamente a diminuir, pelo que se Costa assume louros nesta matéria, é justo que também reconheça que apenas continuou algo que já vinha de trás e não apenas tirar destes números a prova do sucesso da sua estratégia.

Já ao nível do crescimento económico, o atual executivo tem um resultado mau, pois os números eram bem mais positivos no final da era de Passos do que na de Costa. Passou a haver uma diminuição deste progresso em Portugal e, pasme-se! Este dado económico até é pior do que aquele que o próprio PS projetava antes para o País se fosse a Coligação a governar. Todavia, perante este mau número, os ministros de Costa encolhem-se, não assumem o mal, calam-se e optam por falar de erros do passado, que também houve, mas nesta matéria estão bem piores e não reconhecem.

Na banca, se a anterior Ministra das Finanças não resolveu bem o problema BANIF, se teve menos sucesso numa solução para o Banco Espírito Santo que visava menos custos para os Portugueses; a verdade é que a forma como o atual Governo enfrentou o problema no primeiro banco deixa muitas dúvidas sobre o favorecimento de uma instituição estrangeira em prejuízo dos cidadãos nacionais, o Novo Banco continua ainda por resolver e o que se está a passar na Caixa é um exemplo de asneira da grossa. Pior, nem assumem que vão contra a Lei nacional ao nomear a gestão desta e, mais desastroso ainda, pretenderam alterar a Lei a contento das suas escolhas do momento, subvertendo o princípio de que a legislação deve ser generalista e não adaptada ao gosto dum freguês. Felizmente, todos os partidos, da esquerda à direita, deixaram o PS sozinho nesta pretensão que começa a mostrar um desnorte demasiado grande no Ministério das Finanças. Mas sobre esta alhada os atuais Governantes culpam o passado, Bruxelas ou o BCE e desresponsabilizam-se dos seus erros.

Apregoou-se o fim da austeridade, mas subir a coleta de impostos mais do que o crescimento económico significa que a austeridade aumentou, mas em vez de ser às claras, o Governo paga mais e tira mais ainda nas tributações, nos impostos sobre os combustíveis ou outras formas para disfarçar o que acontece e é ouvir gente a dizer que no fim do mês o dinheiro continua a desaparecer cada vez com maior intensidade, só que não foi às claras e o culpado não se assume.

Quanto à ida a França ver jogos de futebol à custa de empresas com as quais o Governo tem litígios, se isto fosse no passado era um escândalo monumental, agora ninguém assume culpas, apenas se devolve a oferta, esquecem-se as regras de conduta em vigor e impostas pelo próprio partido do

Governo e pelos seus desrespeitadas, propõe-se outras para o futuro e procura-se ainda comparar quem manda com comportamentos menos transparentes de quem está na oposição.

Este Governo viciado em acusar o passado e em desresponsabilizar-se do presente, nos primeiros dias da vaga de incêndios foi dizer que até então ainda tinha ardido menos do que no ano anterior, infelizmente para Portugal, nos dias seguintes no nosso País ardeu mais área do que em todos os restantes 27 Estados da União Europeia e bateram-se recordes de décadas. Alguém até hoje assumiu erros? Ninguém! Ao princípio ainda tentaram disfarçar com a calamidade da Madeira, mas perante a dimensão do desastre no Continente, quando se tratou de assumir culpas e já sem poder comparar-se com o Governo de Passos, o executivo de Costa fechou-se em copas.

Na verdade, a má gestão do espaço florestal tem décadas em Portugal, mas o atual governação também não fez nada para mudar este estado de coisas, pois só está bem preparada para a propaganda e não para corrigir erros. No Continente, sujeito fortemente a incêndios, em vez de se gerir preventivamente o problema, continua-se a optar por combater fogos quando o terreno já arde, tal como na Horta, exposta a tremores de terra, prefere-se fornecer tinta para fachadas em vez de cautelarmente se apoiar o reforço contra sismos, depois, quando corre mal, culpa-se a natureza.

Está na hora dos nos governam de não apenas divulgar louros, que também têm, mas igualmente de assumir os seus erros e de os corrigir, para não legar ao futuro um País, Região ou Concelho com os problemas que já herdaram e continuar na propaganda a culpar passado sem se resolver nada.

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