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Archive for 2 de Agosto, 2016

Os Açores têm 953.633 km2 de zona económica exclusiva de mar, mais de 50% da de todo o País e situa-se mesmo no meio do Atlântico Norte, mas o Governo dos Açores nunca investiu numa frota de pesca a sério para esta competir mundialmente, dada a localização e área da ZEE da Região, optou preferencialmente por brincar aos portinhos e em pequenas embarcações e deixar o setor mais capaz ser massacrado pelas potências piscatórias de todas as partes do mundo que nos cercam.

É verdade que apesar da dimensão da nossa ZEE, esta não é especialmente rica em quantidade e diversidade de peixe, além de que pequenas variações de temperaturas e nas correntes oceânicas fazem com que determinadas espécies migratórias passem uns anos mais perto e outros mais longe destas ilhas, por isso nunca se sabe se um dado ano vai ser bom para a respetiva safra dentro destas águas e é normal que quando más se culpe logo frotas os que pescam ao largo. O que às vezes é verdade, mas nem sempre.

Este ano está mau para o atum, mas curiosamente este artigo apresenta lamentos de pescadores Madeirenses, região que envia para cá traineiras para pescar. Claro que estes acusam as frotas de outras partes do mundo que cercam as águas territoriais dos Açores.

Nada tenho contra o facto de Madeirenses virem para o nosso Arquipélago pescar, são nossos compatriotas, mas também não critico que tantos países e regiões do mundo tenham investido a sério nas suas frotas para pescar em águas internacionais e possam capturar o pescado onde ele se encontra por esses oceanos fora, mesmo antes de entrar na ZEE dos Açores.

Culpo sim os que governam os Açores que nunca transformaram a nossa Região numa potência piscatória dada a nossa localização e pudesse de facto ser uma força de pesca no meio do Atlântico Norte de modo que por essa capacidade não fossem os outros Países e Regiões a explorar as águas em torno destas ilhas.

Em termos de pesca, a estratégia do Governo dos Açores foi semelhante à de qualquer País do terceiro-mundo: uns investimentos de pequena monta em estruturas locais, mais uns dispersos para manter a pesca artesanal que caracteriza as regiões subdesenvolvidas, muitas inaugurações de coisas de somenos importância para com o circo assegurar votos na classe e deixar que todas as partes do mundo com estratégias inteligentes e agressivas cercassem as nossas águas ou celebrassem protocolos para pescarem dentro das nossas águas e depois a grande fatia dos lucros vai diretamente para essas terras ou, quiçá, algum paraíso fiscal. Contudo, a estratégia errada nos Açores só foi possível porque os pescadores e armadores de cá se deixaram levar por esta forma miserável de investir nas pescas.

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