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Archive for 6 de Abril, 2016

Faz hoje precisamente 5 anos que Portugal ficava à beira da bancarrota e o Primeiro-ministro José Sócrates pedia ao FMI e à União Europeia uma ajuda financeira de emergência de molde a este Estado super-endividado poder cumprir com os seus compromissos financeiros. Curiosamente neste aniversário português outro País lusófono, rico em petróleo e diamantes, Angola, pede ajuda ao FMI.

Apesar das previsões de novo resgate e das críticas ao Primeiro-ministro Passos Coelho, a verdade é que durante a sua governação em que esteve de arcar com as imposições da troika, Portugal não voltou a pedir um novo resgate. Evidenciando que apesar das críticas, o anterior executivo não foi o insucesso que muitos tentam convencer que foi, embora se tenham cometidos erros e injustiças e sou de opinião que poderiam ter evitado as primeiras e minimizadas e as segundas.

Muitas das decisões do anterior executivo foram revertidas pelo atual Primeiro-ministro António Costa, mantenho-me na expetativa para saber se continuaremos na via de Portugal se libertar do fardo das dívidas ou se também haverá uma reversão nas contas nacionais e não é pelo estado de graça do presente Governo que se pode para já proclamar o sucesso ou não das medidas que estão a entrar em vigor

Em Angola, um País para onde muitos Portugueses emigraram à sombra do dinheiro do ouro negro e dos diamantes sujos de sangue e entrou em força nos negócios em Portugal, passando a ter um peso enorme na economia lusitana, é bom recordar os sinais de novo-riquismo do regime angolano mostrados ao mundo, em detrimento de investir no fortalecimento e na diversidade produtiva do seu Estado, nem faltaram obras públicas enormes, sinal claro que a longo prazo estas não sustentam uma economia… mas vai ser o cidadão médio Angolano quem mais vai sofrer com isto, mas também é verdade que eleitoralmente manteve este regime no poder e os opositores e críticos a este estão a ser presos. Mais uma vez se prova que a má gestão dos dinheiros públicos pode sustentar os do poder, mas nunca beneficia o Povo a longo-prazo.

Comparando estes dois Países, espero que em Portugal a atual via também não seja um exemplo populista de má-gestão cujos benefícios imediatos não se tornem em pesadelos futuros como agora acontece em Angola.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo, feito ainda antes do escândalo Panama Papers:

ÉTICA, IDEOLOGIA E INTERESSE NACIONAL

Os princípios que orientam a nossa vida individual têm de ficar acima dos interesses pessoais, ideológicos ou nacionalistas e as reações ao seu desrespeito não se podem moldar quando afetam pessoas amigas, da família política ou alguém que pode retaliar. Só assim os princípios éticos se tornam coerentes com a prática.

Uma das razões porque a política se tem vindo a degradar é pela falta de coragem em se ser coerente com a ética que se diz defender. Tem-se caído no facilitismo de mudar de posição em função dos interesses em jogo no momento da decisão. É difícil não defender a conduta de um amigo, de um companheiro de partido ou de alguém ou grupo que tem ascendência de carreira ou financeira sobre nós ou o nosso povo, mas uma coisa é ser-se solidário por amizade, outra é apoiar o errado devido a essa amizade ou interesse. Uma coisa é defender o nosso País, outra é não criticar a prepotência de um Estado estrangeiro com que temos relações intensas e age contra os seus cidadãos no âmbito de uma democracia musculada. Pior ainda, é negar o erro ou combatê-lo com o mesmo erro.

No últimos tempos temos assistido a subserviência ao erro face aos interesses em jogo. Critica-se a dureza da justiça de um regime ideologicamente adversário ou de uma área política contrária, mas no dia seguinte argumenta-se com uma desculpa esfarrapada se o erro foi cometido por um sistema que nos é próximo. Assim, hoje podemos pedir a libertação de presos políticos em Cuba ou condenar a prepotência da democracia musculada da Venezuela e amanhã fechar os olhos a uma pena de morte nos EUA ou um julgamento tendencioso em Angola.

Ontem ampliou-se as suspeitas de corrupção de um político da área política que combatemos, hoje promove-se a presunção de inocência de um dirigente que é da nossa cor política e há quem branqueie as culpas deste por noutros momentos ter tido atos meritórios na sua ação pública. Pior ainda, há mesmo quem acuse de corruptos os seus adversários e considere normal proteger os seus colegas de partido, nomeando-os para lugares cuja imunidade judicial é inerente ao seu titular.

Há quem condene o terrorismo de uns e chame ao de outros “atos defensivos”, pior ainda, há quem assuma combater o terrorismo associando-se às guerras que o geraram, uma incongruência que mostra o desnorte do mundo atual em termos de princípios.

Infelizmente este modelar da ética e princípios em função dos interesses não é um exclusivo dos políticos. Quantos cidadãos criticam a acolhimento europeu dos refugiados do médio oriente e em simultâneo apoiam os bombardeamentos pelos Estados ocidentais aos locais de onde eles fogem?

Quantos cidadãos são contra apoios sociais das vítimas do desemprego causados pelas crises económicas e pedem subsídios sempre que a sua empresa ou atividade entra em dificuldades financeiras por problemas de mercado?

Claro que nos responsáveis políticos estas contradições são mais gravosas, mas não faltam governantes a falar de reformas estruturais, desde o nível europeu, passando pelo nacional e chegando ao regional, mas que perante os primeiros choques da inoperacionalidade dessas mudanças a primeira coisa que fazem é distribuir linhas de crédito e fundos perdidos apenas para disfarçar a sua inação e a inexistência de soluções para corrigir o mal desses setores, deixando tudo na mesma e até há quem para melhorar a produtividade apoie o abandono de produtores.

Isto tudo para lamentar cobardia daqueles que não repudiaram a condenação dos ativistas angolanos, onde está o nosso compatriota Luaty Beirão, apenas porque Angola domina em muito a nossa economia nacional ou por lá termos muitos emigrantes. Para criticar que o combate ao terrorismo que ameaça a Europa e atacou Bruxelas se faça juntando a Bélgica aos Países que bombardeiam a Síria. Para assumir a discordância que a Presidente Dilma Roussef eleve a ministro o seu antecessor para que este consiga imunidade no tribunal que o investigava por corrupção, independentemente de ter feito coisas sociais boas no passado. Para protestar que após anos a falar-se da necessidade de reformar os laticínios na Região, a forma de minimizar o impacte do fim das cotas leiteiras seja subsidiar outra vez o setor, o que apenas disfarça a incapacidade do executivo regional em resolver o problema da falta de competitividade dos nossos produtos lácteos, ou decida apoiar o abandono dos produtores desta fileira agropecuária porque é a forma fácil de a curto-prazo esconder a incompetência do Governo dos Açores no modo como tratou este problema durante anos e continua ainda por resolver, nem a saber reformá-lo como deve ser.

Tanta falta de princípios e incompetência cansa quem tenta intervir na sociedade com ética e moral, afastando da vida pública os que se orientam por princípios e valores e deixa a porta aberta aos interesseiros, incompetentes e aos sem vergonha e é o que tenho visto nos últimos tempos.

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