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Archive for 9 de Março, 2016

Marcelo_Rebelo_de_Sousa

Hoje é dia de mudança da pessoa que ocupa o cargo mais alto da República Portuguesa, a Presidência da República, embora sem as responsabilidades de gestão pública mais importantes do País, que cabem ao Primeiro-ministro. Por isso, é mais uma mudança de um vaso na decoração política do que um pilar do sistema, embora, pontualmente, em situações extremas de crise possa ter um papel de pedra basilar do edifício institucional de Portugal e a beleza de uma decoração pode ser importante na qualidade de vida das pessoas.

Na presidência Cavaco Silva pautou-se pelas suas convicções e estas não tendem a gerar unanimidades, antes pelo contrário, a convicção é um dos caminhos mais curtos para divisão, quando se defende uma convicção pessoal dificilmente se está aberto a consensos e o Presidente que hoje sai, apesar de apelar a consensos entre forças políticas, na hora de tomar isoladamente opções seguiu sobretudo a sua ideia pessoal e não a via popular para agradar os outros. Claro que não agiu sempre tão mal como as frentes que o atacaram permanentemente, mas deixou-se fechar em assuntos que eram mais de crença pessoal do que de tolerância para com a diferença e isso foi-lhe fatal em termos de popularidade, agravado por ser filho de uma família do povo e por isso um elemento exterior ao grupo dos históricos elitistas de Portugal que nunca aceitou o seu sucesso político.

Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de ser conhecido como católico de centro-direita, tem agido e falado, sobretudo, orientado por uma lógica de afetos e de busca de tentar ser consensual com os outros, por isso as suas posições tendem a adaptar-se ao momento e muitas vezes simpáticas para com o senso-comum, que nem sempre é racional e correto. Tem antepassados da elite nacional, não tem pergaminhos anti-ditadura, antes pelo contrário, por isso talvez a sua maior necessidade de colocar o sentimento e a simpatia para colmatar essa lacuna. Não sei ainda como será o seu mandato, mas a sua postura é a oposta ao seu antecessor. Espero que venha a decidir no sentido do que for melhor para o futuro Portugal, o que nem sempre é o mais agradável a curto-prazo.

Curiosamente muitos dos que criticavam Cavaco Silva pelo facto deste seguir as suas convicções rigidamente em detrimento da vontade de outros, são os mesmos que criticam Marcelo por este se moldar aos ventos do momento e chamam-lhe catavento.

Não sendo eu um republicano convicto e pouco valor dar à Presidência da República nos moldes como esta está definida neste País, espero ao menos que Marcelo Rebelo de Sousa, dentro das suas competências, saiba ser um bom timoneiro deste navio à deriva que é Portugal e o segure num rumo para um futuro melhor. Boa Sorte!

(foto da wikipédia)

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