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Archive for Março, 2016

economiamata

O livro “Papa Francisco – Esta economia mata” da autoria dos jornalistas católicos e vaticanistas: Andrea Tornielli e Giacomo Galeazzi, procura esclarecer o que está na mente do Papa Francisco ao criticar duramente o sistema económico capitalista atual: será uma ideologia política ou uma mensagem evangélica?

A obra esclarece a dúvida se por detrás de Jorge Mario Bergoglio se esconde um marxista, não só informando as razões da escolha do nome Francisco, como a sua opção estratégica de centrar a mensagem na preferência pelos pobres. Depois expõem-se diversas declarações e ações deste papa que geraram desconfiança em católicos conservadores e simpatias em fações políticas de esquerda, centrando-se sobretudo na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium.

No livro  destaco as seguintes abordagens: (1) o enquadramento da Evangelii Gaudium em todas as anteriores encíclicas da doutrina social da Igreja, iniciada por Leão XIII com a Rerum Novarum no século XIX, evidencia-se que Pio XI há 80 anos foi bem mais duro que Francisco e já Bento XVI apontou o caminho atual; (2) expor as críticas dos setores conservadores católicos que pensam o capitalismo como a via económica mais cristã; (3) entrevistar estudiosos economistas italianos que se reveem nas palavras de Bergoglio; (4) mostrar as razões da via ambientalista que foi o tema da encíclica mais recente Laudati Si e já posterior à publicação desta obra e,  (5) uma entrevista direta ao Papa sobre as dúvidas levantadas nos crentes pelas suas palavras discutidas nesta obra.

O livro não só revela o pensamento de Francisco, como demonstra que a doutrina social da  Igreja há mais de um século é crítica de um capitalismo que idolatra o dinheiro e não tem como primazia o homem e o bem comum; que não olha aos meios para alcançar os fins e acredita na recaída favorável que não se verifica na prática nos países desenvolvidos. Contudo o discurso do Papa radica-se apenas no Evangelho, não numa ideologia ou teoria económica, inclusive opõe-se ao consumismo como alternativa, dispensa Deus para a realização do Homem e acredita que se alcança o céu na terra, a nossa casa comum, pela posse de bens.

Um pequeno livro que abana consciências e se centra no apelo de Francisco para a mudança de paradigmas económicos que têm orientado a civilização nas últimas décadas. Recomendo a todos os que se preocupam com a sociedade, o cristianismo e a justiça social no mundo atual.

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Não sei a fonte da notícia do +Central ao informar que um ano após o fim das cotas leiteiras, 1 de abril de 2015, 60% dos 2132 produtores de leite Açorianos estão em falência técnica, mas sem dúvida que é um número assustador.

Mais o mais grave é não haver políticos que assumam responsabilidades por se ter chegado a esta situação. Há anos que se sabe que a União Europeia pretendia acabar com as cotas de leite e por cá não se reformou o sistema de modo adequado a estar preparado quando a pretensão se concretizasse.

Diz-se nos Açores que temos uma produção extensiva em vez de intensiva, ecologicamente saudável, que o leite açoriano tem ingredientes que favorecem mais a saúde face aos produzidos noutras regiões e até temos áreas leiteiras em ilhas que são em grande parte reservas da biosfera… depois de tantas virtudes anunciadas aos Açorianos como é possível que os nossos laticínios esbarrem por esse mundo fora com a concorrência de produtos vindos de unidades intensivas e de menores virtudes qualitativas de sabor, menos saudáveis e danosos para o ambiente?

Então tais virtudes não se deveriam refletir num produto que sairia agora imune à concorrência de preços?

Esta crise no setor leiteiro Açoriano só pode dizer seguinte: ou o Governo dos Açores enganou os Açorianos sobre as virtudes da nossa produção ou não soube implementar uma política em que o setor tirasse a vantagem adequada de tão grandes virtuosidades ou ainda um misto destas duas falhas.

Apesar da conclusão que se pode tirar, ninguém responsável pela implementação da política do setor leiteiro nos Açores assume culpas da crise em que entalaram os produtores de leite Açorianos.

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Apenas ouvi em diferido e através de excertos a Comunicação ao País do Presidente da República sobre o Orçamento de Estado de 2016, nesta foi evidente a manutenção do tom professoral de Marcelo Rebelo de Sousa, agiu de modo a evitar conflitos institucionais entre órgãos de soberania de Portugal ou forças políticas nacionais e não se comprometeu com nenhuma parte, muito menos com o próprio OE2016 que aprovou.

Marcelo Rebelo de Sousa não assume nem a desgraça que a oposição vê com a aprovação deste orçamento, nem os benefícios que resultarão da aplicação do mesmo que o executivo e os partidos que o apoiam anunciam. O Presidente da República, tal como eu, espera para ver. Por agora dá o benefício da dúvida e deseja o fim da crispação que há muito tem envenenado a política portuguesa.

Na realidade, goste-se ou não do atual Governo de Portugal, o importante é que este tenha de momento condições para trabalhar e oportunidade para demonstrar a validade do seu modelo. Desejo que corra bem, pois isto é benéfico para o País e consequentemente para os Portugueses, se correr mal, ninguém beneficia com isso e fica debilitada a teoria da coligação de esquerda. Até lá é o momento de esperar e fez muito bem o Presidente da República em agir em conformidade com estes princípios, afinal ele é Presidente de todos os Portugueses e a sua capacidade interventiva está, sobretudo, relacionada com a capacidade que ele terá em fazer com que a maioria dos cidadãos se sintam que ele os representa e age em prol do bem de Portugal quando em momentos difíceis tiver de tomar uma opção em momento de divisão e crise.

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Luatycristo

Por quanto tempo eles matarão os nossos profetas enquanto nós ficamos de fora e a ver?

Esta imagem com o texto em inglês, acima traduzido, de um mural com Luaty Beirão com uma coroa de espinhos a lembrar Cristo na representação do Ecce Homo que  dá entrada à notícia do jornal expresso sobre a condenação dos ativistas pela democracia em Angola  denuncia perfeitamente a indiferença sobre quem reflete por um mundo melhor e é perseguido por um regime que se assenhoreou do poder de um país desde os tempos da ditadura e tomou as rédeas de tal modo para que a democracia mais não seja uma fachada de um regime prepotente.

Importa recordar que, tal como noutros locais deste mundo, o Povo de Angola foi a votos, mas quando quem está no poder domina como um polvo toda uma sociedade será viável numa situação normal mudar quem está no poder? Pode-se chamar a isto democracia?

Importa também salientar que os cidadãos foram agora condenados em tribunal, mas quando o sistema judicial foi construído à sombra deste regime pode-se chamar que faz Justiça?

Em Angola reunirem-se pessoas para refletir sobre o sistema que impera no País com base num livro a discutir em grupo é crime… e é este regime que é suportado por muitos Portugueses que contribuem para o seu funcionamento e que mantém em muitos aspetos refém a economia de Portugal. Quem por cá também tem coragem de ir contra isto?

Não sei se o tribunal cumpriu a Lei e assim Angola funcionaria como um Estado de direito, sei que não se fez Justiça que está muito para além da Lei, pois esta pode por si mesmo ser injusta e o regime angolano provou mais uma vez não ser uma democracia saudável.

Fica aqui o meu protesto e a minha solidariedade para com os ativistas angolanos envolvidos neste processo

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Resurreccion_PradoRessurreição de Cristo – Greco, museu do Prado

A todos os leitores, crentes ou descrentes,

Desejo um Feliz Domingo de Páscoa

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Há cerca de um mês manifestei o meu descontentamento pelo facto de uma fação do PSD, que tem criticado nos últimos anos através da comunicação social a deriva do partido para um liberalismo que consideram excessivo, no momento em que fechavam as candidaturas à liderança dos sociais-democratas e em que Passos Coelho já não era Primeiro-ministro, não ter aproveitado para se organizar e apresentar uma alternativa laranja na eleições internas e para o congresso que arranca no dia 1 de abril.

Curiosamente, se há um mês estiveram silenciosos e sem manifestação de candidatura para lutarem pelas rédeas do PSD, agora, que ainda nem se chegou ao Congresso, que as eleições para Presidente do partido já passaram, Morais Sarmento e outros em voz mais baixa, começam já a posicionar-se no terreno e a configurarem uma oposição à reeleição da liderança e da única estratégia que foi a votos.

Classifico esta uma atitude vergonhosa: calaram-se e esconderam-se no momento de proporem uma liderança e um estratégia para o seu partido, depois, logo de seguida começam ao ataque. Assim não! Deste modo não se corrige atempadamente as potenciais derivas liberais do PSD e cheira a oportunismo e taticismo doentio para tomarem o partido sem um confronto de ideias, apenas por desgaste do grupo que o tem liderado.

Há dois anos compreendia-se, não tinha lógica um partido que era governo tem uma liderança que se opunha ao seu Primeiro-ministro. Agora não, era o momento de criar condições para que todos os que se desiludiram ou nunca aderiram a este desvio liberal terem possibilidade de optarem por uma alternativa onde se revissem, mas quem tinha condições optou pela cobardia e taticismo de confronto fora dos locais próprios do PSD. Passos Coelho ainda vai iniciar uma nova liderança e já os potenciais futuros líderes me estão a desiludir no presente.

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Meu artigo de opinião publicado ontem no diário Incentivo:

REFLEXÕES POLÍTICAS EM TEMPO PASCAL

Esta semana relembra-se a decisão de um tribunal em Jerusalém, onde um cobarde, para manter-se no seu cargo de nomeação, optou por agradar aos poderes políticos e religiosos locais e deixou que um acusado das autoridades, que ele interrogara e lhe parecera inocente, fosse julgado na praça pública, precisamente depois dos acusadores, através de fazedores de opinião estrategicamente distribuídos entre as pessoas, terem manipulado a informação e sugerido que o réu sem cargos, mas que lhes fazia oposição ao pregar a justiça e o amor, era causa de males que afligiam o povo. O juiz, com um sentido de oportunidade diplomática, desresponsabilizou-se da condenação do inocente, lavou as suas mãos e ficou amigo do rei, do sumo-sacerdote da cidade e bem perante o imperador.

Nesta exposição, em que retirei qualquer nota religiosa, retratei o julgamento de Jesus há cerca de dois mil anos, um acontecimento que possui muitos dos vícios que degradam as sociedades democráticas atuais. A ambição e a cobardia de quem ocupa cargos públicos, a desresponsabilização dos que exercem o poder e a condenação dos críticos na oposição através de uma engenharia comunicacional habilmente trabalhada e divulgada por quem governa.

A principal diferença deste julgamento com a política atual é que o réu, Jesus, não procurou defender-se, nem tentou por qualquer meio conquistar o poder para si próprio ou obter imunidades, ferramentas que os políticos constroem à sua volta para salvaguardar os seus cargos ou se desresponsabilizarem dos seus atos; muito menos criou alianças promíscuas para se proteger das acusações. Manteve-se pacificamente a assumir a justiça e o amor social como meio de o Homem se salvar neste mundo sujo e corrupto.

Apesar da mensagem teológica à volta deste caso estar na base da fé cristã e é o sustentáculo da Igreja, Jesus foi também um mensageiro de um modelo social terreno com eixos de ação bem definidos: a opção preferencial pelos pobres com o dar-se ao outro apenas com amor e desinteresse; o ser justo sem julgar e servir do seu posto o próximo sem se servir a si. Curiosamente não é uma proposta política, pois esta exclui qualquer intenção de conquistar o poder e de lutar por uma causa. Apela ao trabalho com partilha dos seus frutos, mas recusa o assalto ao egoísta. Anuncia um modelo, mas não impõe. Denuncia o mal a corrigir, mas não condena e, sobretudo, não apela à revolta e aceita as consequências da derrota sem subterfúgios.

Talvez não haja ideologia política no ocidente que não procure tirar proveito das propostas de Jesus na luta pelo poder. Não conheço nenhuma que não escolha os conselhos dEle que lhes convém e omite o que não é favorável à sua estratégia. Na realidade, a doutrina da Jesus apenas se torna completa com uma componente acima da mera proposta social: a vertente religiosa e de fé. Pois como defender uma causa e recusar que esta seja conquistadora se não houver uma outra realidade superior onde esta se realiza plenamente?

Se a ressurreição de Cristo é considerada a prova da parte religiosa da sua mensagem, não menos verdade o seu comportamento em tribunal é um sinal claro da crença na existência de uma componente sobrenatural que suplanta a defesa pessoal e a conquista do poder terreno para construir o modelo social anunciado por Ele.

Agora, olhando a sociedade que nos cerca e ver a injustiça a alastrar-se globalmente, a crescente desigualdade social, os refugiados não acolhidos, os poderosos a dominar cada vez mais o mundo, os confrontos partidários sem entendimentos em favor do bem-comum, a manipulação da informação, os aproveitamentos egoístas do posto político para a autopromoção, a desresponsabilizações dos detentores dos cargos públicos do mal que fazem e ainda a continua pregação da idolatria do dinheiro para o consumo como fim ou para alimentar a ganância de uns à custa de outros, é bem difícil querer intervir no mundo sem questionar para onde vai esta civilização atual ao afastar-se dos valores defendidos por Cristo.

Nesta Semana Santa, em que me questiono sobre como intervir em sociedade conciliando os princípios religiosos em que acredito, onde apenas vejo estratégias cada vez menos cristãs, não por serem laicas, mas por serem interesseiras ou egoístas, injustas ou desumanas e guerrilheiras ou odiosas, onde o bem-comum passa para segundo plano em detrimento da ganância e da ambição de dinheiro ou de poder, faço votos para que todos os leitores deste artigo tenham uma Feliz Páscoa.

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Não acredito que deste atentado em Bruxelas e reivindicado pelo Daesh alguém tire algum benefício: os refugiados enfrentarão maior hostilidade ao acolhimento; o Daesh enfrentará um ataque mais cerrado do Ocidente; os povos da Síria e Iraque continuarão a viver num caos cada vez mais instável; os Europeus viverão com mais medo e muitos apoiarão políticas extremistas e radicais que o passado tem mostrado nunca desembocam em nada de bom no futuro.

Infelizmente, neste confronto entre Ocidente e luta islâmica radical não vejo ninguém aprender com os erros cometidos, procurar mudar de atitude e tentar construir um mundo melhor; nem que fosse de forma indireta, dando condições de vida aos povos dos países desestruturados no médio oriente para que pudessem ser felizes na sua terra e as razões que alimentam os ódios escasseassem e estes mirrassem na construção de um mundo mais justo e Humano. Há culpados do lado de cá, mas do outro lado também há culpados que não se podem considerar coitadinhos.

Assim, infelizmente, só vejo ódio a continuar a ser alimentado pela desumanidade da nossa civilização global, por muita banda desenhada que a partir de Bruxelas nos faça sorrir. É Pena!

Um lamento pelas vítimas inocentes ou apenas culpadas pela indiferença e ingenuidade com que assistem a este conflito que mina a Civilização.

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Na lógica do anterior post, mais uma promessa para o Faial publicado hoje no diário Incentivo:

Antigos cabografistas terão um gabinete na Trinity House, isto para que possam continuar o trabalho que estão a realizar, em estreita colaboração com a Direção Regional da Cultura, para a elaboração do projeto museológico dos cabos submarinos.

A partir deste momento a promessa está listada.

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Estamos em ano de eleições e como habitual quase não há Secretário Regional que não anuncie agora uma obra para o Faial, apesar de nos últimos três anos praticamente nada de novo se iniciou e ainda se anunciou o fim da variante que tinha sido prometida antes das últimas eleições regionais.

A partir de agora este blogue na coluna há direita colocará um espaço designado “Prometório para o Faial 2016” com as promessas de obras para o Faial que o Governo do Açores tem anunciado ou venha a anunciar para começar ainda este ano (não é sinónimo de ser antes das eleições) ou na próxima legislatura.

Não estão incluídos anúncios da responsabilidade de outras entidades como a Câmara Municipal da Horta com a sua Frente Mar e protocolado com o Governo dos Açores, ou a Universidade dos Açores, com a criação de cursos técnicos no DOP e de parte da licenciatura em Ciências do Mar ser lecionada igualmente no pólo universitário situado no Faial.

Não ficam listadas as promessas esquecidas como a segunda fase do Porto da Horta, que ora parece que avança, ora não; nem promessas já eliminadas, como a segunda fase da variante ou o campo de futebol; nem o que o Governo dos Açores entretanto tirou ao Faial como parte dos serviços que a Rádio Naval tinham na Horta.

O “Prometório para o Faial 2016”, será um espaço para memória futura para Faialense não esquecer que irá sendo atualizado com o desfilar de promessas antes das próximas eleições regionais…

Entretanto se houver promessas que o autor deste blogue desconheça e que as façam chegar ao conhecimento deste, desde que estas tenham sido anunciadas oficialmente ou publicadas em órgãos de comunicação social, as mesmas será colocadas no “Prometório para o Faial 2016”, ou seja, aquela coluna conta também com as lembranças dos Faialenses.

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