Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for 28 de Janeiro, 2016

Uma coisa é certa, depois de uma revolução muito publicitada pelas Autoridade dos Açores no setor dos transportes marítimos de passageiros interilhas, com destaque para o Triângulo, nunca se assistiu a tantos problemas como nos últimos tempos. Será mesmo só a coincidência do azar? Não haverá mesmo incompetência protegida superiormente por motivações políticas?

Na realidade, depois de importantes obras nos portos do Triângulo, com ampliações e execução de novas infraestruturas para prestar mais serviços, da construção dos novos navios Mestre Simão e Giberto Mariano, parece que a frequência de perturbações no transporte de passageiros no Triângulo nunca foram tantas em décadas de autonomia e recuando mesmo até ao tempo do atraso na ditadura.

Sim, quando as coisas funcionam bem, o que às vezes também acontece, as condições de conforto melhoraram e a possibilidade de transporte de viaturas passou a ser uma novidade entre o Faial e o Pico. Já nas condições de segurança e após tantos acidentes tenho razões para ter as minhas dúvidas.

Quem diria que assistiríamos em dias e meses tantos rebentamentos de cabeços de amarração? Quem diria que, ainda antes de terem a patina do uso nos novos portos e navios, teríamos acidentes mortais, interrupções do transporte de viaturas, atracagem nas infraestruturas mais antigas em detrimento das mais modernas, vilas massacradas com odores pestilentos e que, ao mesmo tempo, todos os novos ferries estivessem parados e as operações a ser asseguradas pelos antigos cruzeiros?

Criaram-se Comissões de inquérito no parlamento regional que ironicamente e devido à força da maioria do poder político parecem, aos olhos do cidadão comum, mais ter servido para branquear erros detetados do que para os assumir, diluir responsabilidades do que para as apurar, substituir dúvidas de incompetências de gestão e técnica pela teoria da coincidência dos azares: uma versão convenientemente adaptada da Lei de Murphy.

Caso para se desejar: apesar dos problemas, que leve muito tempo a construção dos últimos navios postos a concursos para servirem no transporte de passageiros do Grupo Oriental ao Ocidental, passando pelo Central, é que como os promotores são em grande parte os mesmos, se o mesmo cenário se repetir, além do buraco financeiro cujos alertas não têm faltado, arriscamo-nos ainda a ver este tipo de problemas alastrar-se para todas as ilhas dos Açores.

Read Full Post »

%d bloggers like this: