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Archive for 4 de Dezembro, 2015

Já há décadas que é assim: sempre que um novo Governo muda de cor, nos primeiros tempos anuncia-se um conjunto de surpresas financeiras desagradáveis deixadas pelos antecessores. A entrada de Costa, apesar do modo como o fez ter sido bem diferente do habitual, já se assemelha neste aspeto. Aliás, ainda ele estava em negociações e já prognosticava más notícias financeiras.

Nos primeiros meses deste ano criticou-se o anterior executivo por ter uma almofada financeira que se deveria gastar para enfrentar a crise e aliviar o fardo dos Portugueses. Maria Luís Albuquerque dizia que não havia folga, embora não escondesse a existência de cofres cheios. Agora começa-se a criticar e a anunciar que afinal o anterior Governo não deixou a tal almofada financeira.

No passado esta estratégia teve sempre o mesmo objetivo: fundamentar medidas políticas mais duras do que as anunciadas pelo novo Primeiro-ministro em campanha eleitoral.

Agora não sei a quem interessa este anúncio, sei que com almofada ou sem ela, a contar com dinheiro em cofre ou com estes vazios, na realidade, António Costa não tem margem de manobra para medidas de austeridade.

Na verdade, António Costa não pode agora escudar-se numa pesada herança como se fazia antes: pois não foi pelo voto que ele chegou a Primeiro-ministro, mas sim por uma estratégia que, antes de conhecer a realidade por dentro, assumiu inequivocamente o fim da austeridade sem ressalvar qualquer condicionante e foi isso que o levou a celebrar acordos com partidos que suportam o seu Governo, mas que se deixaram ficar de fora pois não estão dispostos a aprovar medidas duras.

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