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Archive for 2 de Dezembro, 2015

Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

AZIA NA REPOSIÇÃO DE ALGUNS VOOS NO FAIAL

Agora que o derrotado nas eleições António de Costa chegou a Primeiro-ministro através de acordos de união de facto com a esquerda mas sem coabitação, o novo Governo, no princípio gozará o seu período de lua-de-mel, depois, com o continuar das dificuldades, veremos como evolui esta relação e qual o efeito na estabilidade do executivo fruto do choque dos problemas da vida real com sonho anunciado.

Mantenho que se correr bem será bom para todos e uma lição para muitos e um esclarecimento à minha dúvida: a compatibilidade entre sobre-endividamento e o despesismo para recuperar da crise. Mas se correr mal, também não faltarão acusações e haverá uma lição para outros que, por norma, são acusados de não distinguirem o idealismo dos condicionalismos da realidade. Por isso haverá sempre ensinamentos do evoluir desta governação.

Deixando de lado a política no Continente, cujo novo modelo de governação só agora entrou em teste, volto à realidade da nossa Região, onde, mais uma vez se evidenciou que a estratégia de agressão ao Faial não é um exclusivo do Governo dos Açores. Infelizmente, esta conta com os seus aliados noutras instituições económicas e sociais organizadas, bem como em individualidades da sociedade da Região que usam a sua influência como forças de pressão contra a nossa ilha.

A minha indignação resulta de duas situações diferentes que levaram a considerações semelhantes: a primeira, na sequência de um evento para analisar a dinâmica da atividade económica e a política de privatizações na Região, organizado por uma instituição privada em São Miguel. A segunda, um artigo de opinião de um jornalista e comentador da mesma ilha, onde ambos utilizaram como um mau exemplo de gestão económica e/ou financeira a declaração do Secretário Regional do Turismo e Transporte de que “deu instruções à SATA” para esta reforçar os voos para o Faial. Inclusive, o último cidadão justifica esta decisão com o seguinte argumento “cedendo às fortes críticas que vinham daquela ilha, sobretudo das cúpulas locais do partido” e mais tarde remata “Para quem deve mais de 40 milhões à SATA, não custa nada dar mais umas ordens para prejuízos”.

Para uma instituição e pessoa que vivem na ilha que na última década foi o maior alvo dos mais megalómanos projetos não rentáveis para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes e foi a principal beneficiária efetiva do novo regime de transportes aéreos fortemente suportado com dinheiros públicos – num modelo que em muito prejudicou o Faial – é descaramento a mais dar como exemplo de má gestão uma situação que não foi de aumentar os serviços de transportes prestados no aeroporto da Horta pela SATA, mas apenas uma orientação para que a redução dessa prestação de serviço não fosse tão drástica como estava inicialmente anunciado.

Importa também esclarecer o senhor jornalista que, ao contrário de muitos outros casos, o protesto e críticas contra a redução drástica do número de voos da SATA para a Horta mereceu uma unanimidade de todas as forças políticas, sociais e económicas do Faial.

É verdade que os protestos desta vez foram assumidos até pelas próprias estruturas de ilha do partido que suporta o Governo dos Açores, mas também foram propostos por diferentes forças políticas e mereceram unanimidade na Assembleia Municipal da Horta, no Conselho de Ilha do Faial e em outros órgãos desta terra: identifiquei aqueles dois pela sua pluralidade política e social. Assim, ou o jornalista está mal informado das iniciativas das outras organizações, ou pretende insinuar que localmente o partido do Governo Regional falou mais alto que os restantes, o que não é verdade, ou então menospreza as críticas quando elas vêm das restantes organizações desta ilha, o que seria lamentável. Houve sim uma união e coesão nesta luta, não de reivindicação para algo de novo, mas contra a perda de algo mais que queriam tirar ao Faial.

Conclui-se assim que aqueles dois intervenientes consideram a redução de serviços ao Faial uma questão de boa gestão, como se não fosse esta ilha uma das mais prejudicadas e esvaziadas desde o início deste século, ao contrário da terra onde eles vivem que tem cada vez melhores e mais serviços.

Informo que no saldo desta luta que uniu todos os Faialenses, o Faial não ficou a ganhar, apenas perdeu menos do que tinha sido anunciado, ficámos agora com menos voos e lugares do que em anos anteriores. Mesmo assim, tal provocou descontentamento em grupos influentes em São Miguel, um sinal claro que aqui temos de cerrar fileiras, dar as mãos e com mais força do que nunca continuar todos a defender o concelho da Horta, pois os nossos adversários são muitos e poderosos.

Este caso também deu a lição de que quando os Faialenses se juntam na defesa dos seus interesses podem não ganhar, mas perdem menos do muito que alguns pretendem tirar à nossa ilha do Faial.

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