Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Novembro, 2015

Não gostei do tom de ameaça dado pelo Presidente da República no dia da tomada de posse do Governo de António Costa, dando a entender a possibilidade de ainda poder demitir o executivo quando já está a menos de dois meses de eleições presidenciais.

Não gosto também de o Primeiro-ministro fazer passar a mensagem para a comunicação social de que pondera só levar o próximo Orçamento de Estado quando existir um novo Presidente da República, quando ainda faltam mais de três meses para a respetiva tomada de posse.

Então a esquerda não se fartou de argumentar que Portugal não poderia ter um governo de gestão por necessidade imperiosa de ter aprovados instrumentos de funcionamento do Estado como estes o mais urgentemente possível?

As pessoas que ocupam o cargo de Presidente da República e de Primeiro-ministro podem não gostar uma da outra, podem ter até ideias divergentes, mas tem a obrigação de cooperação institucional entre si para bem do País e este duelo, onde cada um escolhe a suas armas e as munições que possui, não defende a honra de nenhuma das partes e só prejudica Portugal.

Read Full Post »

Apesar de haver frequentes declarações do Governo dos Açores de que as contas públicas regionais têm défices escassos, na última conferência organizada pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada foi denunciado que a dívida do setor público empresarial regional, vulgo empresas públicas dos Açores, passou de 315 milhões de euros em 2006, para 1722 milhões de euros em 2013, sem contar com a SATA, esta sozinha passou de menos de 5 milhões para mais de 170 milhões de euros, ou seja um total de 1822 milhões de euros de dívidas.

Se isto não foi um modo de camuflar o endividamento dos Açores é pelo menos uma demonstração de demagogia política do Governo dos Açores quando dá a entender que a Região não está a caminhar a passos largos para uma situação financeiramente insustentável.

Apesar de eu não ser de opinião que isto se minimiza privatizando quase tudo o que é empresa pública regional, os números da dívida acima denunciados são mesmo aterradores para quem tem consciência de que as receitas do Governo dos Açores não se fundam na produção de bens no seu mercado, mas sim essencialmente em transferências do Estado e dos impostos dos Açorianos cuja fração mais numerosa trabalha precisamente no setor público, empresarial ou não.

Assim estamos numa espiral de endividamento do setor público cujas receitas com origem na Região dependem precisamente dos rendimentos dos trabalhadores públicos na Região e em tudo o resto estamos reféns de Lisboa, Bruxelas e da Banca, que quando decidir não alargar o fluxo de dinheiros ou o crédito nos levará a uma situação de crise que para já fica anunciada.

Read Full Post »

Há um conjunto de Portugueses de esquerda que acredita que o próximo governo porá fim a quase todos os males que afligem Portugal sem dor, há outro conjunto de Portugueses de direita que acredita que o próximo governo agravará todos os males que afligem Portugal trazendo ainda mais dor e ainda existe um terceiro grupo de Portugueses, onde me incluo, posicionados entre os dois campos mais extremados, que estão descontentes com o modo como o anterior executivo tratou muitos dos problemas que enfrentou. mas que continua com muitas dúvidas sobre o programa de António Costa a médio e longo prazo.

Não tenho dúvidas que a curto prazo Costa terá a benevolência dos sindicatos, do BE, da CDU e de muita comunicação social para se assistir a uma respiração de alívio e de esperança nos próximos meses. Se a economia evoluir positivamente até meados de 2016 e não surgirem contratempos a partir de então que obriguem a medidas impopulares, é possível que a próximo executivo tenha um mandato longo e até um dia António Costa vir a ganhar o cargo de Primeiro-ministro como vencedor de eleições legislativas.

Todavia, se o crescimento económico perspetivado pelo programa do atual governo não se concretizar, se não houver uma crise política internacional como o terrorismo que abafe a força dos mercados, então Costa passará por enormes dificuldades de popularidade, mas não acredito que perca o suporte na Assembleia da República.

O PSD e o CDS erram se pensam que este executivo implodirá por desentendimentos entre os quatro partidos que subscreveram os acordos que levam Costa a Primeiro-ministros, a consequência disso seria levar a CDU e o BE a enfraquecer-se politicamente e isso não lhes seria benéfico. Apenas o mercado poderá levar a uma situação de sufoco tal que o PS não consiga aguentar-se e isso o obrigue a deixar-se cair.

Goste-se ou não, sem ser vitorioso nas eleições, António Costa está mais refém dos sucessos económicos e dos mercados para  o seu Governo sobreviver do que esteve Passos e pouco dependente da oposição do PSD e do CDS ou das desconfianças à sua esquerda. Bem disse o próximo Primeiro-ministro que não pediu a mão à direita, não é por aí que ele pode cair.

Read Full Post »

Apesar de alguns jornais chamarem de exigências e outros de condições, o que o Presidente da República solicita são esclarecimentos. Na realidade o que é pedido são esclarecimentos, mais ainda, a única que tem um horizonte temporal é a segunda: aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016.

Nada de garantias de acordos de legislatura, nada que Costa não deva deixar claro para como derrotado possa assumir que tem condições de estabilidade para ser um governo com plenos poderes em 2016… depois logo se vê.

Tanta acusação ao Presidente da República de querer agir contra a legitimidade da Assembleia da República, quando ele apenas exige esclarecimentos que lhe garantam uma certa estabilidade de curto-prazo, é que nem lendo os três acordos isso parece de facto claro.

Esclarecimentos no âmbito das suas competências que não comprometem nem Costa a longo-prazo, nem o Presidente que vier a ser eleito em 2017 a médio prazo. Uma decisão cheia de equilíbrio.

 

Read Full Post »

Um treinador que põe os jogadores a jogar sem tentarem ganhar as segundas bolas, a desistirem se sentem dificuldade em passar ou avançar quando estão com a bola, a não tentarem apanhar um passo mal feito do seu colega de equipa, a perderem bolas nas suas passagens simples entre si e, sobretudo, se do banco não é capaz de puxar para animar e tornar aguerridos o seu plantel: não é um treinador para o Benfica.

Rui Vitória hoje demonstrou, não tanto por questões táticas, mas sim psicológicas, não é capaz de puxar pela sua equipa e os colocar a jogar à Benfica, logo não é um treinador para  o Glorioso e por mim saía já hoje.

Há um plantel com problemas a meio campo, mas um treinador que precisa de génios para pôr a sua equipa a jogar bem, para isso qualquer emplastro serve, o Benfica precisa de um treinador capaz de pôr os seus jogadores a render o máximo e Rui Vitória, pior do que não ser capaz, é não ter garra para se esforçar em campo por isso.

Nesta época o Glorioso quando perde nem nos dá o orgulho de dizermos que apesar da derrota jogámos melhor. Torço pelo Benfica, mas não aceito ver um treinador a não saber puxar pela sua equipa. A paciência tem limites e Rui Vitória já me a esgotou este ano.

Read Full Post »

Não costumo pronunciar-me em público sobre grandes estratégias políticas que o PSD-Açores deve seguir, tenho acessos aos órgãos próprios deste no Faial para aí dizer o que penso se o desejar fazer. Por aqui limito-me mais a comentários de decisões concretas de governantes do que ao rumo desta força política e não é segredo que nela milito.

Mas a divulgação ontem de um livro do grupo consultivo de independentes desta estrutura regional, no qual está, seguramente entre outras coisas, a opinião de que o PSD-Açores deve voltar à sua matriz social-democrata, tendo em conta o nome do partido, tal só não parece um contrassenso por ser pública a realidade do liberalismo económico trilhada por este partido nos últimos anos a partir de Lisboa, ideia que se alastrou por toda as estruturas desta força política e inclusive atingiu as mais autónomas do poder central como o PSD-Açores.

Assumo que não rejeitei a experiência liberal proposta internamente por Passos Coelho, também assumo que sou de opinião que aproveitar  certas medidas liberais no mundo atual globalizado, num País sem moeda própria como Portugal e super-endividado, é, em grande parte, uma necessidade e daí a minha abertura parcial a tais ideias. Agora excluir a matriz social-democrata do partido foi algo que nunca pensei experimentar e, embora esta não tenha desaparecido de todo, foi excessivamente enfraquecida e o PSD-Açores no seu discurso não tem sido imune a isso.

Uma das razões porque agora surge tal proposta à partida ilógica tem a ver com o facto que o PSD-Açores desde que viu o PSD em Lisboa chegar ao Governo na sequência da crise de 2011 não soube encontrar o equilíbrio entre defender medidas necessárias para Portugal sair da bancarrota, a sua raiz ideológica e, sobretudo, a sua razão de existir: ser uma força política regional onde o Arquipélago dos Açores é a sua razão de existir como estrutura autónoma.

Apesar da maioria dos Açorianos hoje parecer esquecida, na realidade o PSD-Açores foi quem de facto instituiu a Região Autónoma dos Açores, praticamente contra todas as restantes forças políticas no País e na Região, que tendencialmente eram contra a autonomia, defendendo umas uma centralização e outras uma independência.

Espero com este livro e com a situação que se está a passar no Continente a direção do PSD-Açores saiba encontrar-se com os genes da origem desta estrutura partidária: a defesa dos Açores em Social Democracia.

Read Full Post »

O que se viu em Paris no último dia 13 de novembro ou no ataque ao Charlie Hebdo, o que se soube do recente abate do avião russo, o que se viu no passado no metro de Londres, na estação de Atocha em Madrid e no 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque não deveria ter acontecido e só falhas nos serviços de segurança justificam tais atentados terem sido possíveis. Contudo, estou convencido que ,apesar destas falhas, muitos outros casos foram evitados pelos serviços de inteligência e de defesa destes Estados.

Também não deve ficar esquecido que casos do mesmo género não deveriam acontecer em Beirute, no Iraque, na Nigéria, na Tunísia, no Egito, na Índia ou na Indonésia e em muitos outros países não considerados ocidentais, mas que têm sido igualmente vítimas do terrorismo islâmico.

Claro que uma política do ocidente para com os povos árabes mais inteligente e justa também é importante, mas erros passados já aconteceram e o que interessa é que daqui para a frente se seja mais correto.

Agora, apesar de tudo o que acima foi dito e mesmo tendo em conta as ameaças que continuam a ser difundidas pelos mais diversos meios de comunicação para espalhar o terror, tudo isto é muito pouco perante uma ameaça com armas não convencionais, possibilidade que o Primeiro-ministro francês alertou, e para este um combate desta envergadura, além de ser fundamental uma união de esforços de todos os Países mais ou menos aliados, exige-se uma cooperação acima dos egoísmos e uma prioridade absoluta, para que nunca, nunca mesmo possa ocorrer falhas no sistema que permitam os terroristas concretizar algo do género.

Com este ou aquele meio, desejo que a humanidade consiga sempre evitar algo de dimensões de mortes em massa para que nunca mais assista a horrores de vitimas inocentes como o que já aconteceu em dimensão paroxismal em Hiroxima e em Nagasaqui.

Read Full Post »

Meu artigo de hoje no jornal: Incentivo:

ESPERAR PARA VER

Enquanto escrevo este artigo nada se sabe ainda sobre qual a decisão que o Senhor Presidente da República irá tomar na sequência da aprovação da moção de rejeição apresentada pelo PS que teve o apoio de todos os partidos com deputados na Assembleia da República que não integravam o Governo de Passos Coelho e fez cair o executivo da Coligação vencedora das eleições.

Apesar de discordar do modo como António Costa utilizou os resultados eleitorais para se autopropor Primeiro-ministro, considero a solução legítima com a Constituição, embora no campo da ética mantenha as minhas dúvidas, pelo que respeito os entendimentos do PS efetuados à esquerda.

Não sou daqueles que estão convictos de que daqui virão os piores cenários para a economia de Portugal, mas também é verdade que não fiquei tranquilo ao ler os três acordos de apoio a um Governo de Costa subscritos respetivamente pelo BE, PCP e PEV, onde estes exigem numerosas medidas populares que agradam a todos, mas que só envolvem aumento de despesas, mas sem assegurar novas fontes de receitas para fazer face ao crescimento dos gastos.

No imediato não estou preocupado, pois após meses a ouvir falar em cofres do Estado cheios para se fazer frente a crises agudas de curto e médio prazo, fico com a ideia que Passos Coelho para já deixa a António Costa um fundo de maneio para os primeiros gastos: uma prova clara de que a coligação PSD-CDS não deixou as contas do País em tão mau estado como quando as recebeu do último Governo de José Sócrates. Para já, a acontecer a indigitação de um Governo PS, este terá fundos para o aumento imediato de gastos. Depois, se conseguirá manter a torneira das despesas aberta sem sugar novas receitas em impostos é algo que espero ver e compreender como.

Assim, enquanto não vir na prática como António Costa/Mário Centeno gerem este equilíbrio das contas, dou-lhes o meu benefício da dúvida.

Já no que se refere a ser uma estratégia mais igualitária, vejo que as reposições dos cortes na função pública e nas pensões beneficiam, sobretudo, os maiores vencimentos e as reformas elevadas: enquanto um funcionário ou um aposentado com mais de dois mil euros mensais verá no próximo ano subir o seu rendimento disponível por mês na ordem das centenas euros, os de pensão mínima e baixos salários contentar-se-ão com uns escassos euros que nem dá para uma bica diária. Assim, em critérios de desigualdade social voltamos ao ano de 2009, época em que então governava o PS. Aos multimilionários e muito ricos ainda não se sabe o que lhes vai acontecer, mas, por norma, estes passam sempre acima das crises

Uma aparente exceção ao parágrafo anterior é o salário mínimo, que em vez do aumento de uns escassos euros das baixas pensões e vencimentos, aquele sempre chegará a umas escassas dezenas de euros mensais já em 2016, mas muito longe das subidas das centenas dos outros casos citados. Posso não achar muito justo, mas é o que se deduz de tudo o que tem sido tornado público, mas como agora este modelo de governação está bem-visto na comunicação social, estas coisas passam despercebidas e sem críticas de maior.

Certo que alguém pode dizer que num caso é reposição e no outro aumento salarial. Chamem-lhe o que bem entender. Nestas medidas, no próximo ano os que ganham mais verão a sua vida melhorar bem mais do que o pobre que terá de se contentar com uns escassos cêntimos diários de aumento e portanto, ao contrário do que parece, o primeiro dinheiro a tirar do cofre deixado por Passos Coelho vai ajudar mais os que já mais ganham!

Não sei como esta situação vai evoluir depois na prática nesta estratégia de António Costa/Mário Centeno, patrocinada por Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e Heloísa Apolónia, para já é o que acontece por agora e vou continuar a dar o benefício da dúvida e ficar à espera para ver.

Se depois Costa e Centeno farão correções para melhorar esta injustiça ou se a situação financeira aguentará o embate: sinceramente não sei ainda, mas é o que desejo, pois será bom para todos.

Se vamos de novo à falência, se as injustiças se agravarão mais ainda em resultado desta experiência, tal como com Tsipras na Grécia, é um receio que ainda tenho. Mas, para já, continuo à espera para ver e dou o benefício da dúvida a quem, mesmo que de forma eticamente duvidosa, aposta numa solução diferente daquela que foi seguida nos últimos anos, que como então denunciei não esteve isenta de críticas e de injustiças. Mas para já há que reconhecer: se Passos começou a governar um Estado falido, não deixou Portugal na bancarrota, pois, neste caso, António Costa, se conseguir chegar a Primeiro-ministro, nem dinheiro para distribuir de imediato tinha.

Read Full Post »

Uma coisa é estar convicto que o mundo deve tomar medidas para evitar o terrorismo incluindo o que é alimentado ao abrigo do autodenominado Estado Islâmico, o DAESH, outra coisa e reagir a quente e retaliar contra este último como parece a França ter feito na sequência dos atentados em Paris no passado dia 13 de novembro.

Digo parece pois não tenho dados suficientes para afirmar que não foi uma ação já preparada previamente e apenas se deu a coincidência temporal de dar um aspeto de uma mera retalição.

Neste último caso seria um mau prenúncio agir de cabeça quente, pois mais não é que correr o risco de se cometer mais erros no problema da guerra na Síria, do terrorismo islâmico dos muitos que o ocidente já tem cometido, mas que o mundo precisa de pensar numa estratégia inteligente, eficaz e o mais justa possível, precisa; e isto faz-se com cabeça fria e com uma boa concertação internacional, inclusive envolvendo povos islâmicos e sem egoísmo nacionais a dominar o global

Read Full Post »

Penso que a redução no número de voos no aeroporto da Horta foi uma das poucas situações que gerou unidade nos protestos dos Faialenses, praticamente todos os órgãos de ilha e partidos tiveram declarações do mesmo teor, uma mais fortes, outras mais suaves, mas todos se mostraram chocados com a situação. Desta vez até os políticos da ilha eleitos pelo PS estiveram próximos dos protestos das forças da oposição.

Só assim se justifica a indicação do Governo dos Açores para a SATA alterar o seu programa de viagens para o inverno e reforçar as ligações no aeroporto da Horta, incluindo com as Flores e o Corvo.

Provavelmente não se atingiu uma solução ideal para o Faial, mas ficar aquém das reivindicações é frequente em muitas frentes na política, talvez o impacte negativo das desistências de reservas e alterações de programações individuais e turísticas já efetuadas não se reponha, mas foi uma conquista dos Faialenses.

Quantas mais coisas o Faial não teria perdido ou teria até conquistado se nos últimos anos muitos políticos nesta ilha do partido que apoia o Governo dos Açores em vez de terem defendido o executivo regional tivessem defendido os interesses do Faial ao lado das oposições e da voz comum dos Faialenses?

Uma questão que fica sem resposta, mas este caso demonstra que o Faial nunca conseguiu nada com políticos seus que em vez de defenderem a ilha desculpavam o Governo, é que assim não se revertiam os ataques ao Faial, infelizmente ainda há uns por aí que se pautam por esta bitola, veja-se quem desculpa o Governo dos Açores no caso da variante.

Espero que doravante os deputados e os autarcas desta ilha que presentemente estão a exercer os seus mandatos tenham aprendido algo com esta lição e passem a levantar a voz sempre que o interesse do Faial esteja posto em causa.

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: