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Archive for 22 de Outubro, 2015

O Presidente da República na sua última comunicação ao País informou das razões porque indigitou Passos Coelho para Primeiro-ministro e depois dissertou sobre o que considera fundamental às forças políticas que venham a liderar Portugal: serem pró-tratados europeus, euro e Nato, insinuando que só razões conjunturais levam a que algumas que à partida reúnem estas características não se entendam e se aliem a outras que são contra os mesmos tratados.

Confesso que não me chocava que ele tivesse indigitado António Costa, era legítimo democraticamente, embora eticamente duvidoso, pelo que aceito que tenha dado primazia ao líder da coligação vencedora das eleições, obrigando os deputados no Parlamento a assumirem as suas posições em não pôr procuração dos chefes das suas forças partidárias.

Todavia assumo que fui surpreendido por um discurso onde o Presidente da República condicionou a indigitação de um futuro Governo e considera menos estável uma coligação de esquerda com programas antagónicos em detrimento de uma minoria ostracizada que subscreva o euro, o tratado europeu e a Nato.

Penso que desta forma, ao criticar tão ostensivamente a estratégia de António Costa e as contradições programáticas do PS face às do BE e da CDU, atiçou exageradamente os ânimos destas, que estavam fragilizadas por não existir de facto ainda um acordo conhecido, apenas objetivos avulsos sem a consistência e coerência de um documento. Embora muitos vejam nisto um ataque a esta estratégia, na verdade, com a exaltação que esta provocou, é bem mais provável que o entendimento entre as partes venha a sair reforçado e o PCP e o BE engulam muito mais promessas só para vincar de quanto são capazes para garantir a estabilidade de um governo por eles apoiado. Será suficiente para uma legislatura? Talvez não. Mas penso que a comunicação ao País de Cavaco Silva serviu, sobretudo, para oxigenar o acordo à esquerda.

Resta saber como se comportará Cavaco Silva quando confrontado com uma coligação de esquerda reforçada em reação da sua comunicação. Será mesmo que perante a situação atual não terá querido ele instigar o BE e a CDU a engavetarem mais fundo as suas hostilidades à União Europeia e ao euro para daí resultar uma coligação reforçada nestes compromisso internacionais? Só o futuro dará uma resposta cabal, mas é bem possível o maquiavelismo existir não apenas em António Costa.

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