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Archive for 26 de Agosto, 2015

Repisando o tema que falei no blogue, agora o meu artigo de ontem no jornal Incentivo:

A DEMORADA AVARIA NO BLOCO OPERATÓRIO

Foi como um murro no estômago o que senti quando decorrido um mês ouvi de novo que o bloco operatório do Hospital da Horta continuava a aguardar reparação do seu sistema de arrefecimento. O murro não foi por temer uma necessidade urgente, pois a população foi informada, aquando do anúncio público da avaria, que estavam salvaguardadas as cirurgias de urgência e oncológicas. O choque foi pelo significado da situação se prolongar por tanto tempo.

Quando da divulgação da situação, a população servida por este hospital foi também informada que se esperava a resolução do problema num prazo de duas a três semanas, deduzindo-se assim que se estava a dar já uma margem de segurança para eventuais atrasos e seria de esperar que tudo ficasse normalizado num prazo de duas semanas.

Também me lembro de se dizer que seriam poucas as pessoas afetadas, só que aqui não interessa o número, pois, poucos ou muitos, um atraso no atendimento num único destes pacientes é sempre um atraso e esse cidadão merece a mesma atenção e cuidado quer esteja acompanhado por pouca ou muita gente com o mesmo problema: é uma questão de dignidade e de obrigação da Região. Aqui não é o Estado que está em causa, pois pela Autonomia compete ao poder regional assegurar o serviço de saúde e a sua qualidade aos Açorianos que residem no Arquipélago.

Não critico nenhum funcionário do Hospital da Horta, pois de todos os trabalhadores que conheço que ali exercem a sua profissão de médicos a auxiliares, e são muitos, tenho recebido sinais claros de que se esforçam ao máximo para cuidar o melhor possível os doentes que ali são recebidos.

Critico sim o poder a montante do pessoal do Hospital da Horta. Estivesse esta unidade de saúde situada numa das outras duas ilhas que possuem hospitais regionais e já se sabe que a Saudaçor ou o Governo Regional com fretamento extraordinário de aviões ou de navios, apelos à força aérea ou à marinha e a questão teria merecido um tratamento de urgência máxima! Isto nem tendo em conta a possibilidade de por essas bandas este tipo de infraestruturas estar já salvaguardado com equipamentos de substituição em reserva nos armazéns como prevenção para estes casos. Tal como deveria sempre acontecer nas que prestam um serviço básico de suporte de vida aos cidadãos. Mas como é no Faial… aqui tudo tem de se desenrolar com as devidas demoras da zona que sofre uma dupla ultraperificidade dentro da ultraperiférica Região Autónoma dos Açores.

Quando se fala em defender o serviço público de saúde, assunto com o qual estou de pleno acordo, vem sempre à baila a Constituição, para o poder regional se esquecer neste momento que esta obrigação constitucional não está neste momento a ser plenamente assegurada aqui na ilha do Faial.

O que de facto eu gostaria é de não ter razões de descontentamento com as condições que se dão às infraestruturas e ao pessoal dos serviços de saúde prestados na Horta, que eu não sentisse falta de rapidez de resolução dos problemas que normalmente podem aqui ocorrer. Mas, infelizmente, esta demora evidencia aquilo que há muito denuncio: a desatenção e o esvaziamento do Faial em contraste com o que se passa nalgumas outras ilhas dos Açores. Esta demora é apenas mais um sintoma dessa falta de cuidado para com a ilha onde vivo que há muito denuncio, mais um dos muitos desrespeitos para com esta terra que eu tenho assistido.

Os problemas de funcionamento das infraestruturas dos serviços de saúde sediados no Faial merecem e exigem sempre um tratamento de urgência e o Governo dos Açores mostrou neste caso do bloco operatório não ter cumprido a sua obrigação, um facto digno de censura máxima.

Desejo ao menos que, desde a escrita deste artigo, a sua publicação na terça-feira ou então já esta semana, sejamos informados de que tudo está finalmente regularizado, é que esta interrupção da normalidade do funcionamento daquele bloco operatório já não se livra do rótulo de ter sido demasiado demorada. Isto para prejuízo, sobretudo, daqueles cuja qualidade de vida foi entretanto afetada e o seu mal-estar prolongado.

Estou certo que este desejo é também a vontade daqueles que dão o seu melhor no bloco operatório do Hospital da Horta, pois estou seguro que igualmente estão desejosos para que tudo seja plenamente resolvido com a maior brevidade possível, tanto pelo brio profissional que lhes reconheço, como para evitar sobrecargas de trabalho num futuro próximo devido ao acumular de atrasos de intervenções que entretanto poderiam já ter sido feitas durante esta interrupção.

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