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Archive for 16 de Julho, 2015

Todas as vezes que existem eleições, sobretudo legislativas, é sempre o mesmo forró de declarações políticas de que a Horta reúne as melhores condições para aqui se fazer a investigação sobre os oceanos, se administrar o mar dos Açores, se instalarem centros de formação e de investigação marítima e de se investir nas tecnologias e no potencial de exploração do mar.

O busílis disto é que apesar de serem verdade as declarações e talvez bem intencionados alguns candidatos, a seguir às eleições muito fica pela metade de modo a esvaziar as promessas antes feitas e até nalguns casos retira-se ou asfixia-se o que já cá existia.

Assim, apesar de todos os forrós que aconteceram em períodos pré-eleitorais, na última década aconteceu isto: (1) reduziu-se drasticamente a baía norte proposta para o porto da Horta e construiu-se algo esquelético que nem desde o início satisfaz todas as necessidade atuais; (2) não se realizaram as obras associadas de reordenamento para a baía sul que iriam apoiar as pescas, compensar a impossibilidade de atracarem os maiores cruzeiros no novo molhe e solucionar a situação precária das instalações das empresas marítimo-turísticas; (3) fechou-se a única fábrica de conservas de peixe no Faial e exportaram-se parte dos postos de trabalho ali existentes para o Pico; (4) tentou-se retirar a rádio naval da Horta cuja saída só não foi mais completa porque de facto aconteceram os problemas de difusão de sinal em São Miguel; (5) pretende-se criar um novo curso superior sobre os mares mas a sediar em Ponta Delgada e serão os investigadores do DOP na Horta que têm de se deslocar à outra ilha; (6) anunciou-se a Escola do Mar cujo projeto na campanha em curso foi apresentado mas já se salvaguardou que esta terá uma dependência em Rabo de Peixe para a esvaziar de muitos dos seus alunos no Faial; e (7) o pólo da Horta da Universidade dos Açores e o IMAR definham de dia para dia nesta ilha, enquanto em paralelo a parte ligada ao mar do Departamento de Biologia em São Miguel vai crescendo.

Efetivamente, a única coisa que neste período a Horta viu instalar no seu seio foi primeiro a Direção Regional do Mar e depois a elevação da competência nesta área a Secretaria Regional do Mar, esta que logo retirou à ilha parte da Escola do Mar, contudo há que reconhecer que esta orgânica assegura alguns empregos na administração pública e vários lugares para boys e cargos políticos no Faial, cautelarmente liderados por alguém que nem é destes lados dos Açores não fossem crescer algumas ideias de investimentos por esta cidade sem o devido controlo externo.

Apesar deste historial triste que vem progressivamente esvaziando o Faial, impedindo-o de facto de se tornar num importante centro de investigação sobre os oceanos e de exploração dos recursos marítimos, agora que vão ocorrer eleições legislativas nacionais já recomeçou o habitual concurso de promessas sobre o mar em relação à Horta… será para acreditar desta vez? Nem me atrevo a responder a esta pergunta que me faço.

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