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Archive for Junho, 2015

Efetivamente já cansava! Cinco meses em que nunca se soube qual o caminho que a Grécia trilharia no dia seguinte, muito tempo de impasse numa negociação onde a chantagem tem sido a arma de cada parte de modo a obrigar o outro a ceder. O primeiro a pôr um ponto final no braço de ferro foi Tsipras, ao convocar um referendo sobre a aceitação das negociações e a assumir que pela sua parte é pelo não.

Até ao resultado do referendo, continuarão os apoiantes de Tsipras e do seu discurso a dar-lhe todo o apoio e a considerá-lo um herói, como se esta consulta mais não fosse que um claudicar de uma das seguintes três teses:

1 – aceitar a austeridade e continuar no euro, como tem sido defendido pelo Governo de Portugal, um caminho lento, com sacrifícios e infelizmente também com injustiças cometidas que deveriam ter sido evitadas ou minimizadas, mas não o foram tanto quanto possível; ou

2 – recusar a austeridade e continuar no euro, o que foi defendido pelo BE, o Livre e algum PS que diziam que bastava ser exigente com a eurozona e criavam-se as condições para se ter o melhor de todos os mundos, um sonho que conjugava aumento dos rendimentos, crescimento económico, injeção de crédito dos credores e benefícios do euro;

3 – recusar a austeridade imposta e sair do euro, aqui a CDU foi uma voz coerente, um rumo diferente implicava sair da tutela financeira da moeda única com todos os outros inconvenientes, que ainda não são bem conhecidos e se teme também não eliminarem outros sacrifícios maiores.

Acabou-se o sonho do prazer de ter o sol na eira: o fim da austeridade; e os benefícios da chuva no nabal: a injeção de dinheiro da parte dos credores ao abrigo da eurozona como se defendia na segunda tese.

Em Janeiro parece que os gregos escolheram a segunda tese, ter as duas coisas em simultâneo, o fim dos malefícios da austeridade junto com os benefícios do euro, agora terão de optar de facto, pois neste braço de ferro, nem a força dos credores se quebrou, nem a chantagem do mais fraco venceu.

A democracia não é escolher a reunião do melhor de cada opção, mas sim selecionar uma com as suas vantagens e desvantagens, chegou finalmente o momento de se escolher o bom e o mau que cada alternativa tem, sem ser apenas as vantagens de cada alternativa com a eliminação dos incómodos de cada uma.

A democracia implica escolher um caminho, mas consciente que essa via não está isenta de desvantagens como alguns vendedores de sonhos utópicos durante anos têm vendido ao povo para cativar o seu voto, levando depois o País a situações insustentáveis. Agora tudo parecer ficar mais claro e caberá aos gregos finalmente a possibilidade de uma escolha consciente e realista cuja opção deve ser respeitada… o fim da utopia do mundo sem sacrifícios que reunia apenas as coisas boas.

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O meu artigo de opinião remetido para o Incentivo para ter sido publicado ontem naquele diário faialense:

A CULPA FICA PARA A PRÓXIMA

Os últimos casos têm mostrado o calibre das pessoas que estão ou têm estado na tutela dos transportes nos Açores nos últimos tempos.

No concurso para a construção de navios para a Atlanticoline, depois de ser demonstrado que a opção por dois navios e com as dimensões pretendidas era um buraco financeiro e um elefante branco face às necessidades, nada demoveu o Governo dos Açores desta irresponsabilidade e este foi sempre em frente. Uma estratégia que se encaixa perfeitamente num tipo de gente que não assume as consequências dos seus atos e sempre tem saído impune: quem vier a seguir que fique com as culpas das dívidas ou pague os custos. Aos autores cabe cortar a fita e receber os louros dos aspetos agradáveis das suas asneiras.

Mesmo assim, o Governo dos Açores não chegou com esta pretensão ao fim, primeiro foi exigindo alterações no navio face ao inicialmente previsto e só depois descobriu que tal levou a que não se pudesse cumprir o caderno de encargos do concurso: mas como a impunidade das ações faz parte destes governantes, logo chutou as culpas para os Estaleiros de Viana do Castelo e saiu incólume dos seus erros. Lixou-se a empresa que confiou nesta gente, que assim ficou com as dívidas do investimento não pago e com o navio por vender.

Não satisfeito com esta embrulhada, o Governo dos Açores voltou a insistir noutro concurso e seguir a mesma estratégia desmesurada em busca de novos incautos. Há sempre quem caia no discurso dos vendedores de banha da cobra! Entretanto, para manter a estratégia de benefícios políticos para hoje e dívidas para o futuro, lá vai alugando anualmente navios a custos elevadíssimos. Mesmo assim, o serviço de transportes marítimos inter-ilhas prestado pela Atlanticoline ao longo dos anos nunca foi de confiança em termos de qualidade, se não, vejamos:

– Umas vezes os navios chegam tarde para atender ao principal objetivo de programação de viagens para os turistas e para as festas de verão, com um coro de protestos na altura, mas no fim da época todos se esquecem e o responsável sai impune;

– Noutra deixaram os empregados contratados em condições desumanas como se não fossem gente, após denúncias e umas reportagens nos meios de comunicação social, ninguém foi responsabilizado pelo mal que fez àquela gente e a impunidade manteve-se;

– Todos os anos a velhice dos navios leva a avarias frequentes, já ninguém confia nos horários programados no início da época, estes sofrem sempre alterações, mas o problema nunca se corrige, pois os responsáveis sabem que basta um comunicado, manter tudo na mesma e saem impunes;

– Agora, só depois de uma embarcação ter sofrido um rombo, felizmente sem consequências mortais, soube-se que estes navios nem possuíam um radar para detetar objetos submersos com os riscos inerentes a tal lacuna, mas, como é habitual, ninguém é responsabilizado por ao longo destes anos tal nunca ter sido acautelado e a impunidade continua.

No concurso para os navios da Transmaçor ao princípio parecia que até não tinha havido tanta incompetência, mas mal começou a exploração das embarcações estas vieram ao de cima e até mostraram que a impunidade de tanto erro também se estendia à gestão das infraestruturas portuárias.

Assim, apesar da tutela governativa ser a mesma, depressa descobriu-se que a compatibilidade da operacionalidade dos navios com os portos recém-construídos no Triângulo não tinha sido bem equacionada: umas vezes os cabeços de amarração não estavam nos lugares adequados, outras as rampas ro-ro gerava instabilidades que não permitia o seu uso sem novas correções e, por fim, em resultado de um acidente mortal de um Faialense, soube-se até que a falta de manutenção de alguns dos cabeços já se arrastava por 30 anos!

Novamente, à semelhança dos numerosos casos de impunidade ao longo dos anos na Atlanticoline, depois de tantos sinais de terem sido cometidos demasiados erros no processo da Transmaçor e de manutenção nos portos das ilhas do Triângulo, o Secretário Regional dos Transportes refutou qualquer responsabilidade política do que se passou, no que até foi coberto pelo próprio Presidente do Governo dos Açores: pois só agora aconteceu um acidente mortal, pelo que doravante é que se vão fazer os trabalhos necessários para se corrigir a situação e evitar-se que outros casos venham a acontecer no futuro. Pois era de esperar isto, até porque ao nível dos transportes a responsabilidade fica sempre para a próxima e até ao momento sempre reinou a impunidade total dos que tão mal têm gerido este setor.

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Imagem Wikipédia

Florença foi uma das cidades que mais cedo desejei visitar, contudo, talvez tenha levado mais de uma década entre a decisão e a programação da visita, mas depois de ter passado rapidamente por Veneza, reconheci que não poderia passar mais tempo para comparar aquelas que artisticamente e arquitetonicamente devem ser as duas cidades mais marcantes da Itália.

Espero neste berço do renascimento e património mundial, não só conhecer a arquitetura como arte, como os grandes Giotto, Boticelli, da Vinci, Michelangelo Buonarroti e Caravaggio e outros artistas que viram projetada a sua luz genial através da família Medici na terra do grande Dante cuja obra-prima, “A divina comédia” já li e de Maquiavel que tantos políticos tem influenciado também no mau sentido. Sendo esta a capital da Toscânia, à qual cheguei de comboio para conhecer a paisagem entre a Lombardia e esta cidade, e estando numa das províncias mais cosmopolitas deste país, penso ainda visitar, pelo menos duas das cidades com património conhecido mundialmente e ainda na minha rota operática ter mais um grande momento musical, agora com um obra suis generis e como se vai curiosamente tornando hábito, na Itália não ouço óperas italianas.

Espero assim ao longo desta semana colher impressões suficientes sobre a vida atual, a gastronomia e o estado da arte da cidade de Florença e da província da Toscânia. Entretanto deverei fazer uma pausa no debate das questões locais, regionais ou nacionais… para acompanhar o programa e impressões das férias visitem o meu blogue, de cultura, lazer e geologia, Geocrusoe.

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Sei que na política em momento de campanhas eleitorais os discursos dos políticos tendem a ter mais populismo, menos credibilidade e menor bom senso, como receita para cativar o eleitorado. É pena, mas nisto muita gente também não é inocente de todo por acreditar melhor no que gosta mais de ouvir.

A verdade é que tanta palavra contra a privatização da TAP vinda de António Costa, que nunca foi contra esta operação quando governante, me tem deixado de orelha em pé, não será apenas mais um discurso de campanha do que uma convicção? O facto deste político dizer antes das eleições que se vencer deverá reverter a situação da venda, mas na Assembleia da República ter ouvido o deputado do PS invocar algo do género “se ainda for possível”, reforçou a minha dúvida de que este discurso era mais uma estratégia eleitoral do que uma convicção da liderança.

Hoje, o jornal Expresso, o tal que é dirigido pelo irmão do líder socialista, tem um artigo de opinião que li “Vitorino bate Marques Mendes na TAP“, escrito por Pedro Santos Guerreiro, um dos homens fortes deste semanário.

Ora, Vitorino é uma das maiores referências do PS e, neste momento, talvez seja a pessoa mais influente do Secretário-Geral sem ser oficialmente da estrutura diretiva do partido. No artigo lê-se que o Governo foi assessorado pelo escritório de advogados Vieira de Almeida, Mário Soares há poucos anos deu a entender que este grupo era de amigos seus, assim, tudo me aponta para que, independentemente de ter ganho ou não a melhor proposta, a vencedora foi a que contou com o apoio dos influentes do núcleo duro dos socialistas.

Assim, apesar das minhas incertezas sobre a conveniência ou não da privatização da TAP, tudo me indicia que do lado do PS a oposição a esta venda é mais estratégia eleitoral de que convicção e dá cobertura àquilo que normalmente descobrimos nas relações dos partidos do bloco central: digladiam-se na praça pública, mas de facto, no essencial, estão sempre de acordo debaixo da mesa.

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Começo por esclarecer que nesta matéria não tenho opinião formada, a favor ou contra a privatização da TAP, mas não haja dúvida que em torno desta matéria há muita poeira atirada ao ar e muitos jargões oportunistas no processo e se para alguns a questão é ideológica, para outros o problema parece-me mesmo apenas uma guerrilha eleitoral hipócrita.

A ideia deste post surgiu do facto de ter acabado de ouvir em direto a deputada Mortágua do BE a fazer um historial de sucesso da TAP em termos de serviço prestado e crescimento de rotas, sem assumir nada sobre o endividamento monstruoso da empresa, é como se tudo estivesse bem e sustentável na situação atual e não fosse necessário encontrar um solução de urgência para o problema. Mas confesso que neste discurso há, pelo menos, uma visão ideológica de desconfiança sobre o que é privado e a possibilidade este setor poder ter lucros que se não concordo com ela, merece o respeito democrático e a confirmar já depois do que atrás escrevi assumiu a deputada que esta é uma questão de interesse político e ideológico.

Na verdade existem empresas de bandeira por essa Europa fora privatizadas e cheias de vigor, tal como é verdade que apesar de as empresas de transporte aéreo de bandeira serem estratégicas para os respetivos países, tal não impediu a falência de Sabena, no coração europeu de Bruxelas, ou da Suissair, já fora da eurozona, com todas as restruturações que isso implicou e os custos laborais e públicos que daí resultaram.

Também é verdade que o facto da empresa ser ainda do setor público, tal não impediu que a mesma já abandonasse o Faial e que eu não sentisse que todo o País ficou refém dos pilotos da TAP aquando da última greve.

Igualmente é verdade que o processo de privatização tem sofrido revezes, quer por desistência dos compradores, como foi o caso da Suissair há mais de uma década atrás ou a falta de concorrentes fiáveis, mas tanto o PS, como o PSD como o PP todos eles quando estiveram no poder moveram esforços para privatizar a TAP, incluindo no texto do memorando da troika subscrito por Sócrates cuja fação neste momento lidera os socialistas.

Não deixo de reparar que António Costa só se mostrou contra a venda da maioria do capital da empresa desde que é candidato a Primeiro-ministro, pois mesmo quando número 2 do Governo de Sócrates estava no campo contrário, por isso não consgo vislumbrar no discurso do atual PS mais do que uma mera guerrilha eleitoralista hipócrita, o que é muito mau para eu depositar confiança num candidato que chegou a líder do seu partido apunhalando o seu antecessor e quando parecia oportuno e sem risco concorrer para aquele lugar.

A última falácia nesta guerrilha está o facto de se dizer que o Estado vai receber apenas 10 milhões de euros, omitindo que os novos donos parcelares da TAP, que continua a ser parcialmente pública, têm de arcar com um dívida de milhares de milhões de euros que neste momento são dívida pública e como se isso não fosse algo para os Portugueses pagarem.

Nunca percebi muito bem as limitações europeias para o financiamento da TAP situando-se esta na esfera pública, a verdade é que uns dizem que é possível, outros que não. Igualmente desconheço o caderno de encargos para dizer da viabilidade de António Costa em reverter a situação se for Governo, mas ouvindo agora o deputado que está a falar pelo PS, penso que se chama Rui Paulo Figueiredo, que colocou um se tal for possível na sua intervenção, que estamos em mais um jargão eleitoralista do que uma real intenção dos socialistas.

Agora assumo que nos últimos tempos o Governo de Passos Coelho deu uma aceleração neste processo que dada a proximidade das eleições eu também não percebo as razões de tanta pressa nem o que ganha politica e economicamente Portugal com isto.

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Nunca fui um fã incondicional de Jorge Jesus (JJ), ao contrário do que parece ser Ricardo Araújo Pereira, pois se JJ alcançou nos últimos seis anos um número de títulos para o Benfica acima da média das últimas 4 décadas, também é verdade que o Clube investiu em jogadores mais do que foi habitual nos anos anteriores, mesmo assim, o Glorioso teve mais vitórias em campo do que qualidade de jogo face ao nível do seu plantel.

Reconheço JJ como um técnico de excelência em valorizar jogadores individualmente, o valor de vários dos grandes craques de hoje que passaram pelas suas mãos devem-no sobretudo ao trabalho deste treinador no Benfica. Só que nunca consegui ver a equipa encarnada na alçada deste líder jogar surpreendentemente uma forma continuada, houve jogos em que, de facto, o Benfica jogou muito bem, mas muitos mais houve em que era uma tortura para os simpatizantes deste clube ver a sua equipa jogar e isto não pode ser alheio ao modo como JJ dirige o seu plantel estrategicamente.

Sei é que com bons e muitos ovos JJ até faz omoletes e por vezes surpreende-nos pela positiva, mas também a sua receita deixa estragar demasiada vezes o prato que nos serve e a época 2012-2013 isso tornou-se amargo e excessivamente evidente.

Todavia, não deixa de ser um risco a contratação de Rui Vitória (RV), curiosamente a Wikipédia inglesa tem um historial deste técnico muito mais completo que a sua versão nacional, tipicamente português este desprezo pelo que é nosso, é possível, contudo, verificar que este treinador trouxe, por norma, no início vários sucessos à escala dos clubes que treinou, indiciando que sem equipas de destaque consegue mesmo assim pô-los a jogar acima da sua média.

O problema é que RV tem agora a sombra de um bicampeonato, de várias taças da liga e uma de Portugal conquistadas pelo seu antecessor quando tinha uma equipa caríssima e, mesmo que o plantel agora venha a ser mais barato, se o atual técnico encarnado não tiver uma prestação próxima da dos últimos dois anos, mais na conquista de títulos do que na qualidade de jogo, muitos não lhe perdoarão face aos sucessos recentes alcançados com muitos ovos.

Agora, eu pessoalmente tenho uma suspeita: penso que RV ainda não mostrou tudo o que vale, tal como Marco Silva que comecei a admirar a partir da sua passagem pelo Estoril, enquanto JJ está sobrevalorizado pela qualidade dos ovos que teve no Benfica e, neste caso, é o treinador que deve mais ao Glorioso do que este ao seu ex-técnico.

Apesar desta reflexão, acima de tudo o que faço votos é que o Benfica da próxima época tenha sucesso com Rui Vitória e não nos desiluda. FORÇA BENFICA!

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Imagem wikipédia

Dia de Portugal!?

Não será a crença ainda neste País outro mito urbano?

ou será que sofro dos efeitos da teoria do sebastianismo que tanto se reflete na nossa mentalidade e cultura?

Mesmo assim… a todos: Bom Dia de Portugal!…

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Sei que existem grandes defensores do aumento do consumo para sairmos da crise. Concordo que se o consumo for sobretudo de produtos nacionais tal deve-se refletir de modo positivo no PIB, mas num País altamente endividado como Portugal, se o consumo se refletir mais intensamente ao nível das importações, então o que se está é a criar uma bomba relógio para a economia nacional, pois tal levará cada vez a mais défice não compensado pelo aumento da produção interna.

Embora este título do jornal económico seja enganador, talvez com a ânsia de dar uma má notícia, pois da leitura do artigo se descobre que faltam um dos principais motores das exportações: o turismo; a verdade é que a parangona mostra bem o perigo que se esconde atrás daqueles que defendem o aumento do poder de compra para sairmos da crise em que estamos… é que esta via se não for bem direcionada só desemboca em algo pior a seguir: mais dívida e mais crise.

Mesmo não sendo um descrente em Maynard Keynes, a verdade é que também foi com dinheiro nas mãos dos Portugueses que fomos à bancarrota… não ao contrário. Apesar de uma austeridade cega, injusta ou desajustada como temos visto também não ser uma solução alternativa saudável.

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Na apuração de responsabilidades de qualquer índole sobre o acidente que vitimou José Norberto num navio da empresa pública regional “Transmaçor” no porto do Cais do Pico, devido ao rebentamento de um cais de amarração, infelizmente, cada vez que alguém das tutelas  abre a boca, o desplante vai sempre crescendo.

Primeiro foi a vez do Secretário Regional do Turismo e Transportes a não assumir qualquer responsabilidade política do caso, com base no conteúdo do relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Marítimos. Uma desfaçatez incompreensível de uma tutela perante o conteúdo de um relatório que denuncia 30 anos de falta de manutenção de uma infraestrutura que aquele membro do executivo tinha sob sua gestão.

Depois foi a vez do Presidente do Governo dos Açores se solidarizar com as declarações do Secretário Regional do Turismo e Transportes, não havia necessidade de se expressar sobre esta matéria em que um membro do seu executivo já se tinha politicamente inocentado e, pior, fez recair sobre si mesmo a cadeia da autodesresponsabilização no poder político regional.

Agora, segundo o jornal Incentivo de hoje, o Presidente do Conselho de Administração da empresa pública regional “Portos dos Açores” na altura do acidente e agora reconduzido, a entidade gestora direta da infraestrutura portuária cuja cedência do equipamento causou o acidente mortal, perante a Comissão de Economia da Assembleia Legislativa Regional, o chefe máximo desta empresa invocou relatórios secretos que apontam para outras conclusões, isto como se não fosse NOJENTO e GRAVE um titular de um cargo público de nomeação política invocar, perante questões de eleitos pelo povo, relatórios que são secretos, nojento não só com este tipo interrogadores, usar a mesma técnica com um jornalista ou cidadão também seria nojento.

Só num regime de democracia duvidosa e demasiado pouco transparente ou então numa ditadura seria compreensível que alguém nomeado pelo poder político executivo defender-se perante adversários eleitos pela oposição com relatórios secretos. Um argumento NOJENTO, GRAVE e um precedente PERIGOSÍSSIMO para a saúde de qualquer regime democrático.

Esta gente não se enxerga mesmo, por isso até se desresponsabiliza politicamente do que acontece nas infraestruturas que estão sob a sua alçada de gestão, isto perante relatórios tornados públicos que os acusam claramente de falta de manutenção de estruturas a seu cargo e, pior ainda, se defende publicamente com dados secretos.

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Meu artigo do dia 2 de junho no diário Incentivo:

UMA OBRA DE MAU AGOIRO

Como Faialense, devo congratular-me com o lançamento de uma obra menor e mais barata no Faial quando percebo que esse investimento sela a desistência de outra obra maior, de grande valor e muito mais intensamente reivindicada por esta ilha?

Como Faialense, devo ficar calado com o anúncio de uma obra para o Faial se a decisão de a fazer é para camuflar a não execução de um projeto estruturante e de muito maior importância, de modo a silenciar os descontentes de alertarem do pouco que se faz nesta ilha?

Como Faialense, devo manter os olhos abertos, mesmo com risco de me magoar, quando o Secretário Regional do Turismo e Transportes me atira areia para a cara para não ver a realidade com que maldosamente está a tramar o meu Faial?

Como Faialense, devo continuar a denunciar estas tramoias contra o Faial, apesar de tantos e tantos anos de cansaço a assistir o esvaziamento socioeconómico da minha ilha com os seus autores a saírem impunes?

Estas são questões que me tenho colocado desde a saída do comunicado do gabinete da propaganda do Governo dos Açores a anunciar a reabilitação da Avenida Príncipe Alberto do Mónaco e cuja notícia foi divulgada aqui no Incentivo na passada quinta-feira.

Apesar de não ser contra a obra em si, cheguei à conclusão que com este anúncio não me podia congratular, deixar-me ficar calado, fechar os olhos ou desistir de denunciar o mau agoiro que representa a reabilitação destes dois troços de estrada no Faial: um entre a igreja das Angústias até à rotunda em Santa Bárbara e o outro entre esta até aos Flamengos; num investimento total de 935 mil euros. Pois este comunicado assinala, de forma clara, a desistência da construção da Variante à cidade da Horta, um investimento estruturante e na ordem de vários milhões de euros.

Alguns dirão: mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Esclareço: num bom programa de obras públicas esta reabilitação nunca seria feita logo antes da construção de raiz de uma nova estrada com um ponto de partida comum: a rotunda de Santa Bárbara. Pois o acesso à frente de trabalhos de operários, máquinas e camiões, o fornecimento de britas e asfalto ou o escoar de terras resultante de escavações e impróprias para aterro seria feito pelos troços a reabilitar. Dado que não é lógico escolher as vias que atravessam as zonas muito povoadas dos Flamengos, S. Amaro e Horta.

Assim, a necessidade de usar os troços das vias a reabilitar causaria um desgaste imenso no investimento feito imediatamente antes, seria como deitar parte deste dinheiro fora, e, por isto, só se justificava efetuar esta obra a seguir à construção da Variante. Exceto se o Governo dos Açores decidiu não fazer a nova estrada e claro, não foi por acaso que o anúncio veio a seguir à retirada, pela calada, da Variante da Carta Regional das Obras Públicas, como denunciei no anterior artigo.

Deste modo, o Secretário Regional do Turismo e Transportes; que mentiu ao dizer que a Horta teria mais lugares no novo modelo de transportes aéreos, sendo depois desmentido com números num artigo publicado noutro jornal desta ilha, que pela calada retirou a Variante da Carta de Obras Públicas; anuncia agora um investimento de 935 mil euros para camuflar a desistência da Variante que orçava em vários milhões de euros. Um saldo negativo e em prejuízo do Faial.

Se havia tanto dinheiro para investir em reabilitações no Faial até havia trabalhos alternativos se indiciar o fim da Variante, que até eram urgentes, como a estrada Ribeira do Cabo – Largo Jaime Melo – Ribeira Funda, que de tão mau estado tem troços que passaram de asfalto a bagacina. Só que esta obra não foi anunciada pois necessita de mais verba e não está tão à vista. Assim, com uns milhares de euros, o Governo dos Açores até faz um show-off numa via que foi intervencionada não há assim tanto tempo, gasta muito menos e ainda deixa muitos Faialenses contentes com esta tramoia que prejudica o Faial.

Será normal que daqui a pouco alguns para se manterem no poder no Faial, que silenciosamente deixaram a Variante cair, venham ainda em voz alta dizer que na nossa ilha até há obras em curso. Mas, mais uma vez perspetivou-se e anunciou-se o grande e acabou-se por fazer o pequeno.

Assim, tal como nas obras do porto da Horta: onde primeiro se anunciou em voz alta um grande projeto na Semana do Mar; depois em voz baixa faseou-se; a seguir e num sussurro encolheu-se a baía norte onde hoje há cruzeiros que nem atracam; e, por fim, silenciosamente, engavetou-se a segunda fase. Agora na Variante também com grande pujança muito se projetou em torno desta via, assistiu-se com menor pompa ao seu faseamento, a seguir poupou-se na primeira fase ao tirar-se a iluminação, agora em silêncio vê-se que a segunda fase não é para avançar e a reabilitação anunciada veio confirmar este agoiro. Mas só se deixa enganar e contentar quem quer e eu não gosto que me enganem e denuncio esta jogada politicamente suja.

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