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Archive for 8 de Abril, 2015

Meu artigo de opinião publicado ontem no diário Incentivo:

AQUI HÁ GATO!

Estão a concretizar-se, a uma velocidade estonteante e assustadora, as consequências mais pessimistas para o Faial em resultado da mudança do sistema de ligações aéreas entre os Açores e Lisboa, que levou à liberalização dos destinos de Ponta Delgada e Terceira, associada à respetiva abertura às companhias de baixo custo, enquanto Faial, Pico e Santa Maria continuaram ao abrigo das compensações financeiras de serviço público e, nisto, ainda bem.
Os impactes negativos não parecem ser tanto por a liberalização não se ter estendido a todas as “gateways” da Região, até porque até ao momento não se têm visto grandes benefícios para a Terceira, mas, sobretudo, pelas adaptações daí resultantes na TAP e na SATA, conjugadas com os encaminhamentos a custo zero para Ponta Delgada, que indiciaram desde o princípio a existência de interesses ocultos ou de uma conspiração para se criarem as condições destinadas a esvaziar as “gateways” dos aeroportos do Faial e do Pico.
Em primeiro lugar vieram as movimentações de forças-vivas de São Miguel para aproveitar a mudança no regime de ligações entre os Açores e Lisboa para transformar o aeroporto de Ponta Delgada num “hub”, placa giratória ou plataforma logística para a circulação de passageiros entre a Região e o exterior. Indiciando pressão nos corredores dos poderes políticos daquela ilha para surgir uma aliciante aos Açorianos para convergirem para aquela ilha e ela veio algum tempo depois com o anúncio dos encaminhamentos a custo zero a quem viajasse para fora da Região, que à primeira vista beneficia sobretudo aquela infraestrutura.
Em segundo lugar foi a inesperada desistência da TAP em concorrer às rotas da Horta e do Pico, há quem aproveite esta opção da empresa para dizer que é uma consequência direta da intenção de privatizar a transportadora aérea nacional, só que este argumento não me convence, pois desde o Primeiro-ministro Guterres, inclusive, todos os Governos de Portugal efetuaram diligências neste sentido e, desde 1996, tal nunca foi motivo para a desistência desta rota, antes pelo contrário, nestes 20 anos esta até concorreu com mais viagens e tratando-se de um concurso, bastava à TAP estimar o custo por passagem, tendo em conta a taxa de ocupação previsível, que o Governo de Lisboa, ao abrigo do serviço público, cobriria o preço acima dos 134€ por passageiro para evitar prejuízos à empresa e esta só perderia esta aposta se houvesse uma melhor proposta. Mas a TAP simplesmente desistiu da Horta e correu para Ponta Delgada para concorrer sem compensações financeiras com “low-costs”, como se soubesse que aquele aeroporto viria a receber, para além dos passageiros desviados para as companhias de baixo-custo e dos novos turistas aliciados por estas, muitos outros dispostos a pagar os 134€ anunciados. Ora isto só é plausível se tivesse tido sinais claros que os incómodos das ligações inter-ilhas até São Miguel compensariam as saídas dos Açores por outras “gateways” mais distantes.
Em terceiro lugar vieram as reduções do número de voos que a SATA propôs para o Faial e os horários desfavoráveis com que concorreu ao Pico, precisamente os destinos onde se asseguram compensações financeiras para se prestar um melhor serviço público! Só que isto parece mais um convite subtil para que os Faialenses e Picoenses optem por sair por Ponta Delgada, até onde são transportados a custo zero nos aviões (apenas nos aparelhos, pois táxis, refeições e hotéis necessários durante a ligação estão a cargo das pessoas) do que uma boa prestação de serviço de transportes nestas duas “gateways”.
Por fim, mas não de menor efeito no sentido de esvaziar os aeroportos do Faial e Pico, sabendo nós que a SATA já tinha a fama e proveito de fazer mais cancelamentos pelas variadas razões nas ligações entre Lisboa e Horta do que a TAP, logo na primeira semana do novo regime assegurado pela SATA esta presenteou-nos com três cancelamentos em série para o Faial, com todo o alarido público associado isto de modo a afugentar passageiros desta rota, a que se associou a escandaleira que foi o de também divergir para Ponta Delgada o voo para o Pico no primeiro fim de semana, tendo os passageiros chegado ao destino só na madrugada do dia seguinte.
São chatices a mais o que a SATA nos presenteou logo na primeira semana e foi muito chato o serviço que a SATA prestou aos passageiros com destino ao Canal. Não sou dado a teorias da conspiração, mas que elas existem… existem, e tantas coincidências que aconteceram logo na primeira semana do novo regime de transportes aéreos para fora da Região levam-me a acreditar que aqui há gato e este gato é mesmo a implementação de uma estratégia concertada para se esvaziar as “gateway” do Faial e do Pico e canalizar os passageiros com estes destinos ou origens para Ponta Delgada, por onde assim se asseguram melhores condições de concretização da viagem.
Custa-me a admitir tal conspiração e não vejo benefícios na mesma para qualquer entidade do Continente, ao contrário de várias forças que se movimentam nos Açores, pelo que os seus mentores prováveis devem estar na Região e também terão de ser os residentes no Faial e Pico quem terão de velar pelos interesses das suas ilhas, doa a que partido doer, ou a que forças ocultas ou bairristas se escondam por detrás de tantas coincidências que demonstram que de facto aqui há gato e este está a mostrar-se um felino feroz, traiçoeiro, interesseiro, inteligente e inimigo do Triângulo. É tempo de agir antes que seja demasiado tarde!

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