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Archive for 28 de Janeiro, 2015

O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

FRENTE-MAR DA HORTA: SERÁ DESTA FINALMENTE?

Fiquei contente por ver no telejornal da RTP-Açores da última sexta-feira que após muitos, muitos anos a reivindicar uma intervenção de fundo para a frente-mar da cidade da Horta, finalmente a Câmara Municipal assinou um contrato com um consórcio para a elaboração de tal projeto para aquela zona ribeirinha, estendendo-se por uma área que vai do largo Manuel de Arriaga ao parque Vitorino Nemésio, no valor de duzentos mil euros, a estar concluído até ao fim de 2015 e após a consulta pública de várias ideias colocadas à discussão pelos faialenses no ano passado.

Sei que esta assinatura é apenas para se projetar no papel a versão final da intervenção vencedora no concurso e não para se efetuar as obras de construção. Estas só terão início após outros concursos e adjudicações a empreiteiros e estima-se levarem outros 10 anos de trabalho e, como já não é a primeira vez que há projetos tornados públicos que ficam arrumados nos gabinetes, não há para já mais garantias que desta vez este será mesmo executado e concluído em definitivo.

Apesar de considerar importante esta intervenção na frente-mar e de reconhecer o potencial que daí se pode alcançar, não sou tão otimista como o Presidente da Câmara que estima que fruto destas obras serão criadas sinergias para o crescimento e o desenvolvimento económico da cidade e o aparecimento de microempresas, sobretudo na área náutica.

Desejar… desejo. Mas discursos deste género já acompanharam outros investimentos, como para a zona industrial ou empresarial da Horta, e, no fim, a nova pujança nunca se tornou realidade, o que temos assistido é ao definhar da economia do Faial. A minha experiência já me ensinou que o Município tende a empolar as perspetivas que depois se tornam em desilusão para os que acreditaram. Já será bom que as empresas de recreio náutico, agora mal instaladas junto ao Clube Naval, melhorem as suas performances, mas nada de ilusões: a maioria das obras públicas feitas em todo o País teve por norma impactes positivos económicos menores que os anunciados pelos políticos. Infelizmente, isto foi um dos erros que contribuiu para a crise em que vivemos.

Em paralelo este projeto não pode ser visto em separado da implementação do plano de urbanização da cidade da Horta e da construção da segunda fase da variante, se não fica coxo pois continuaremos a assistir ao fluxo de todo o tipo de viaturas para a avenida marginal a conflituar com as vocações de lazer, restauração, serviços de apoio náutico e turismo; onde o incómodo se tornará ainda mais gravoso por não ser compatível ocupações deste género com a presença de muitos carros a circularem a grandes velocidades ou a trazerem engarrafamentos irritantes a quem vai passear para disfrutar as valências pretendidas para a frente mar.

Aliás, se agora é a primeira vez que se adjudica o projeto da frente-mar, já não sei quantas vezes foi anunciado o da variante que já deveria estar concluída e da última vez que se falou estaria terminada neste mandato do Governo dos Açores e foi por isso dividida em duas fases, tal como aconteceu com o ordenamento do porto da Horta. Assim espero melhor sorte para a zona ribeirinha e que ao menos se faça todo o investimento e o dos outros complementares e que a atual Presidente de Câmara não seja como outros que no passado que, em vez de pressionarem o arranque de obras, vinham era desculpar atrasos: ora com a crise (numa região que dizem não ter défice preocupante, embora não tenhamos beneficiado com isto como seria de esperar), ora por não quererem transformar a nossa terra num imenso estaleiro, etc.

Apesar de tudo, mantenho a mesma posição: ainda bem que se deu este passo de adjudicar o projeto, mesmo não sendo uma solução que nos resolva tantos problemas como se quer dar a entender para esconder outros falhanços, mas que o investimento ajuda-nos e pode melhorar as condições de vida dos faialenses, é verdade, sobretudo se complementado com os outros que não se podem mais adiar e também relacionados com o ordenamento da cidade: o saneamento básico na baixa da Horta, o plano de urbanização da cidade e as fases II do porto e da variante. Pois espero que este não volte à gaveta e renasça apenas quando estivermos próximos de eleições como tem acontecido noutros casos.

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