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Archive for 9 de Janeiro, 2015

Agora parece definitivo que ao longo dos meses deste ano os Estados Unidos vão despedir 500 dos 900 empregados da base das Lajes na Terceira, uma ação que terá um enorme impacte socioeconómico direto naquela ilha e indiretamente em todo os Açores e até com abrangência nacional. Uma decisão difícil de digerir para qualquer Açoriano consciente, mas que não constitui uma surpresa para quem tem estado atento ao que se tem passado nos últimos tempos ao nível das informação libertadas pelos americanos, como também tem observado o que se tem passado no mundo.

Há anos que se tem assistido a decisões políticas norteamericanas de redução das forças daquele país presentes naquela infraestrutura militar situada em Portugal e isto, apesar de reduzir os benefícios comerciais diretos da presença daqueles estrangeiros na Terceira, indiciava que mais cedo ou tarde muitos portugueses deixariam de ser necessários estar a trabalhar para aquele país na mesma base. A isto não é alheio o fim da guerra fria, apesar da recente tensão crescente com a Rússia de Putin, nem a redução da importância geoestratégica e económica da Europa para os Estados Unidos e o Mundo, ao contrário do sudoeste asiático, sobretudo: China, Coreia do Sul e Singapura. Os Açores sempre servem de apoio à frente atlântica da América, quando esta perde preponderância, a Região também perde interesse.

Outro motivo tem a ver com as novas tecnologias que substituem muitas pessoas e este aspeto é global, mas é mais intenso nos países tecnologicamente mais avançados e aqui os Estados Unidos estão no topo, logo certos serviços prestados no local podem ser agora efetuados em centros informáticos à distância.

Fica agora exposto o reverso da medalha de todos aqueles que ao longo dos anos protestaram contra a presença norteamericana nos Açores ou contra o papel interventivo, económico e militar dos Estados Unidos no ocidente e médio-oriente ou são por uma desmilitarização acentuada dos Países. É que não se pode querer ao mesmo tempo diminuir por cá aquela força e manter os benefícios que a sua manutenção tinha, nomeadamente nos empregos.

Infelizmente, fica também a nu a incompetência de todas as forças políticas nacionais, regionais e sindicais, que por motivos de interesses políticos de curto-prazo, nunca foram capazes de assumir plenamente o problema e negociar a situação a sério para preparar o futuro com o mínimo de impacte, empurrando o problema para o outro ou para a frente e empatando a questão à maneira tipicamente portuguesa, acabando o pragmatismo norteamericano por dar uma bofetada em todos estes pamonhas que gerem Portugal e os Açores. Pena que sejam os cidadãos do povo que tinham ali o seu ganha-pão que agora venham a sofrer duramente as consequências desta incompetência e é para estes a minha solidariedade, só que esta de pouco lhes serve, infelizmente!

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