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Archive for 7 de Janeiro, 2015

Há uma diferença entre tentar limitar a liberdade de expressão na comunicação social por motivos políticos da mesma tentativa por motivos religiosos, é que a primeira é egoísta e interesseira, mas racional. A segunda não, funde-se em crenças que obscurecem ou eliminam a razão.

Contra a primeira tentativa podem-se usar valores e a compreensão humana que procuram beneficiar e respeitar todos independentemente do seu modo de pensar, já contra a segunda, o recurso à razão esbarra na intolerância de uma parte que não compreende que se pense diferente. Neste caso, muitas vezes quem age contra as outras pessoas não o faz por egoísmo, maldade ou vingança individual, mas por acreditar que está a colaborar com uma justiça superior e para a qual está mandatado de uma forma que aos seus olhos é altruísta, no sentido que a sua própria vida nada vale para satisfazer a vontade desse ser acima dos homens.

Aquilo que para nós foi um ato de terrorismo contra o jornal parisiense hoje atacado que custou a vida a 10 jornalistas e nos deixa em estado de choque, pode ser para os atacantes apenas uma obediência cega numa crença em que os atiradores se sentem mandatados superiormente e tem ainda o amargo de o ocidente laico, agnóstico ou ateu não saber como pode controlar uma crença que não se funda na razão.

O terrorista não se sente intolerante, pensa é que os outros estão errados e trabalha para construir um mundo mais correto, ele não discorda dos outros, ele apenas se sente dono da verdade. Se na política há confronto de ideias e perspetivas diferentes para a sociedade, no fanatismo só há a certeza do fanático. Infelizmente, muita comunicação social nos seus esforços de defender a liberdade de expressão não sabe trabalhar com os crentes de nenhuma religião mais ou menos secularizados e abertos aos outros.

Que descansem em paz as vítimas de Paris neste dia, mas que o mundo saiba como agir para que novos casos não se repitam sem impedir a liberdade expressão, nem ferir a fé religiosa, é que esta também não se pode proibir de existir.

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