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Archive for 1 de Dezembro, 2014

Tenho ouvido de muitos comentadores elogios ao discurso de António Costa que a mim apenas demonstram exatamente por que Portugal não sai da cepa torta. Justifico:

1. Dizem: António Costa fez um bom discurso por que chegou ao coração dos portugueses ao enunciar os problemas nacionais e dizer que os pretende resolver.

Mas isto não é nada de novo, qualquer político de oposição faz isso em Portugal há décadas. Até Passos Coelho fez o mesmo no último congresso antes de chegar a Primeiro-ministro.

2. Dizem: António Costa não apresentou nenhuma medida para resolver os problemas listados, mas assumiu que tem um calendário próprio para apresentar a suas medidas.

Pois, mas isto não é o que por norma faz qualquer líder de oposição quando é chamado a enunciar em concreto as suas propostas para resolver as dificuldades? Dizem sempre que serão apresentadas em tempo oportuno, só que por norma as opções de facto impopulares descobrimo-las quando chegam ao Governo, com Seguro também já era assim e com Passos e Durão não foi diferente.

3. Dizem: António Costa não falou do nome de Sócrates, mas assumiu o legado histórico positivo das coisas populares dos Governos socialistas.

Evidentemente a bancarrota e outros fracassos não se devem assumir, apagar as responsabilidades negativas do passado é de facto a estratégia que o bloco central farta-se de usar há décadas, o que está mal a culpa é sempre do outro, a hipocrisia no seu estado mais perigoso levada ao elogio dos comentadores.

4. Dizem: António Costa assumiu a viragem à esquerda.

Esta é das mais fáceis de todas, num país socialmente mais atraído pela esquerda e tendo em conta que o Governo impopular é de direita. Aliás, quando os executivos são de esquerda, por norma, o discurso de direita vende melhor, agora é a vez de vender o outro, até Passos conseguiu falar de liberalismo quando o anterior governo era pretensamente de esquerda, bastou a pretensa esquerda disfarçar os benefícios para os grupos económicos de molde a ficarem encobertos pela ppp e garantias de rentabilidade de determinadas empresas que se pode vender a ideia do governo mínimo. Agora é oportuno radicalizar à esquerda, mas sem dinheiro não se exige donde virá verba para cobrir o que se deseja

Conclusão: Só se deixa enganar pelo XX congresso do PS neste fim de semana quem quer ou já estava convencido. Não houve nada de novo no Parque das Nações a não ser o desplante de nomear as vítimas da violência doméstica sem ter sido acusado como o deveria ter sido de populismo barato e de um aproveitamento político intolerável deste problema íntimo de muitas famílias em Portugal. O resto foi como se fabrica  a habitual feira de ilusões na política nacional.

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