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Archive for 13 de Agosto, 2014

O meu artigo de ontem no jornal Incentivo:

COMO FOI POSSÍVEL ESTE DESEMPREGO NOS AÇORES?

Há algo de muito estranho na realidade dos Açores, que me lembre, na história de Portugal do pós 25 de Abril nunca o nosso Arquipélago ocupou o lugar de região do País com maior taxa de desemprego nacional. Mas pior ainda é o silêncio em torno deste problema regional.

No Continente houve o resgate da troika, na Madeira a dívida do Governo de Jardim e nos Açores sempre se anunciaram contas públicas saudáveis e medidas compensatórias da austeridade, mas eis que no desemprego ficámos piores que todos. Uma contradição que ninguém explica.

Que se passa? Como foi possível chegar a tal situação quando se divulga que na Região as contas estão saudáveis e não há uma herança pesada do passado? Muito menos no desemprego.

O grau de austeridade implementado pelo atual Governo de Lisboa foi demais e prejudicou o objetivo: tapar o buraco financeiro escavado no passado em Portugal. Mas se há uma estratégia compensatória dos Açores, então porque a Região está a desembocar numa situação de desemprego ainda pior que o resto do País?

Como explicar este silêncio e falta de perguntas e debates sobre este problema nos Órgãos de Comunicação Social regionais?

O Governo dos Açores não promoveu a saída de funcionários como no Continente e até tem havido concursos públicos a admitir mais gente para a administração e empresas da Região e ainda pululam nos serviços das ilhas pessoas integradas nos programas ocupacionais: cujos beneficiários não contam para as estatísticas de desemprego, embora não tenham emprego de facto.

Em paralelo, as exportações do Arquipélago assentam sobretudo na agropecuária, lacticínios, pescas e conservas de atum; e os bens alimentares são, por norma, os últimos a ser cortados nos orçamentos familiares em situações de crise, pelo que não devem ter sido os agricultores e pescadores os que perderam o emprego nos últimos tempos nos Açores.

Poderia ser o setor da construção civil dependente das obras públicas, mas ainda na passada semana, em resposta às críticas de inoperância vindas do Presidente da Câmara da Povoação, o Governo dos Açores deixava claro que não havia atrasos na execução dos projetos, pois estavam a cumprir o calendário da Carta de Obras Públicas há já algum tempo aprovado.

Resta portanto os restantes setores privados como fonte de tanto desemprego nos Açores e se não tivemos uma austeridade como a do Continente é por que os poderes na Região desenvolveram políticas que silenciosa e paulatinamente destruíram as pequenas e médias empresas particulares: quer por ingerência desastrada nos setores destas, quer por oferecerem serviços “gratuitos”(como se tal não saísse dos impostos de quem trabalha) concorrenciais que deveriam ser privados ou ainda por imposições burocráticas que desincentivaram empreendedores a apostarem em projetos criadores de emprego.

Lembremo-nos das irracionalidades daqueles pequenos investidores que queriam criar empresas familiares e dizem à boca pequena que desistiram das suas iniciativas, pois além das suas casas de banho tinham de construir outras para os empregados que eram eles próprios e em locais contíguos à sua casa; da não-aceitação dos materiais escolhidos, dos pés-direitos e das portas incompatíveis com o imóvel a aproveitar no seu prédio de residência; do emprego a mais que tinham de criar para garantir o subsídio que iria gerar o seu próprio posto de trabalho, alguns disseram-me que até pensaram especular no estudo de viabilidade esse lugar, mas descobriram que tal matava à nascença a iniciativa, além de toda a burocracia e morosidade pública. Assim, só os que com muita vontade e resistência alguns prosseguiram. Mas muitos outros desistiram e ficaram à espera de um emprego na administração regional, sempre pronta a disfarçar este defeito do sistema e ainda daí tirar dividendos eleitorais, só que mais tarde tornam insustentável a economia e criam desemprego.

Hoje quase não se criam empregos na privada e o setor público já não consegue crescer ao ritmo do passado: saturou. Pelo que são cada vez mais os que esperam nos centros de emprego. Infelizmente não surgem medidas para corrigir isto num Governo que se viciou nos defeitos que alimentou e o sustentou no poder e desembocaram no elevadíssimo desemprego nos Açores: o mais alto do País.

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