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Archive for 11 de Agosto, 2014

Com um segundo subtítulo “Memorando das Periferias” o livro “A Europa à Beira do Abismo º A crise das dívidas soberanas” com textos de autores de vários países intervencionados pelo FMI/Troika: Argentina, Grécia, Irlanda e Portugal, além de procurar explicar a causa da crise das dívidas soberanas e as principais ferramentas que o neoliberalismo usou para enfrentar o problema, expõe o historial destes resgates nos Estados em causa, os seus efeitos sociais e questiona a eficácia financeira, sendo o caso lusitano exposto pela agora deputada do Bloco de Esquerda: Mariana Mortágua.

Mais do que ideológico no campo político, o  livro é assumidamente contra os princípios da escola económica liberal e as suas receitas, mas radica-se muito em economês: o ebook tem 15% do seu espaço dedicado ao glossário técnico, e como tem diferentes autores torna-se repetitivo na extensa denúncia dos mesmos erros e princípios que considera serem a causa da crise.

A obra evidencia a génese da crise no desregulamento dos sistemas financeiros nacionais e internacional que levou à criação de produtos derivados para alavancar a economia de uma forma oculta e descontrolada por ganância dos especuladores, denuncia a corrupção e conluio entre políticos e financeiros que levaram à subordinação do interesse público ao privado até ao surgimento e rebentar da bolha nos EUA.

Depois denuncia a desumanização das receitas dos resgates nacionais de filosofia neoliberal e acusa que desde a Argentina estes sempre procuraram salvar os interesses dos credores, muitos deles especuladores e causadores do problema, em detrimento das pessoas. Isto através da nacionalização das dívidas dos bancos tornando pública a dívida privada e gerada pelos esquemas gananciosos de alto risco dos produtos financeiros derivados.

Na Europa a mesma receita agravou-se com a sobreposição dos problemas estruturais da eurozona, transferindo para os países mais frágeis da periferia do Continente verbas sob o nome de ajuda e sem consulta democrática tornava pública a dívida privada dos bancos para estes pagarem à banca do centro. Isto a troco de sacrifícios das populações periféricas, o que ainda agravou mais a suas economias já em crise.

O livro é sem dúvida um rol de denúncias, críticas e de discordância dos métodos usados e dos seus efeitos sociais desastrosos, várias vezes refere a necessidade de outras receitas e de outros princípios, mas de concreto  medidas práticas amadurecidas não propõe praticamente nada além de princípios.

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