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Archive for 7 de Agosto, 2014

Depois de Portugal ter adotado no BES um modelo onde se abandonou o injusto critério de “banco demasiado grande para falir” de modo a que as dívidas passassem para o Estado e a população pagasse os erros do especuladores, enquanto os acionistas pouco perdem, mas ganham muito se houver lucros, momento em não repartem praticamente nada pelo povo que de facto paga o risco todo, a Bolsa de Lisboa passou a ser um navio a afundar, mas onde em vez de ratos em fuga temos sim os abutres dos especuladores a por-se à distância.

Sei que há muita gente da esquerda à direita contente com isto, até por vários motivos e nem sempre coerentes ideologicamente, nomeadamente:

– os que torcem pelo insucesso da medida apenas por ter sido tomada por um governo que desejam ver cair, independentemente da sua cor política, são sobretudo cidadão nacionais, politicamente ativos e reconhecem-se por que as suas posições sobre a crise nos últimos tempos são sempre para tirar dividendo políticos no momento, muitas vezes contraditórias com o decorrer do tempo e têm ânsia de poder a qualquer preço;

– os que se programaram para viver à sombra da injustiça da especulação e esta mudança é um precedente que não lhes convém mesmo nada, normalmente situados à sombra do capitalismo selvagem neoliberal, muitos deles, mesmo sem o dizer, até perderam ativos no BES e na PT, tanto podem ser nacionais como estrangeiros, protestam pela inovação da medida e a este grupo pertencem muitos dos que estão a fugir da bolsa nacional, não só por desforra, mas também por medo, têm sobretudo a força da sua influência  económica a nível global de distorcer mercados por ganância;

– outros ainda por que o caos financeiro pode criar condições para uma convulsão social e uma mudança de regime político nacional afim do cubano ou venezuelano, algo que por cá nunca ganharam nas urnas, nem perspetivam que num sistema que funcione em equilíbrio e em democracia representativa o venham a alcançar, reconhecem-se pelo discurso de que os ricos que paguem a crise, mas quando pela primeira vez surgiu uma medida que foram os especuladores acionistas a ficarem com o banco mau, logo atabalhoadamente se mostraram contra a medida pois um banco bom não deveria ser privado.

Como isto vai acabar ainda não sei. Sei que mudar o sistema que se implantou em democracia de alternância e onde a classe média paga sempre os pecados dos grandes tem riscos e nem sempre uma medida mais justa alcança o seu objetivo por ser obstruída por abutres que se habituaram a crescer em torno da injustiça que esmaga o povo… a ver vamos como acaba este caso em concreto.

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