Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Agosto, 2014

Uma coisa é estar contra uma proposta de revisão do município da Horta, que sente que os atuais critérios lesam a sua ilha devido ao facto de esta só ter um concelho, para se mudarem os critérios de repartição de fundos atribuídos às Autarquias dos Açores, outra é agressão barata do Presidente da Câmara das Lajes do Pico contra o Faial como aquela que se ouviu do seu discurso na igreja da sua vila na cerimónia de abertura da Semana dos Baleeiros.

A revisão dos critérios proposta pela Câmara da Horta não agride nenhuma ilha em particular, é um assunto que precisa de maioria de 19 municípios, onde apenas 4 são de ilhas de concelho único e as cinco ilhas com várias câmaras totalizam 15 concelhos. Assim nada há de específico contra o Pico ou algum dos seus concelhos.

Não me surpreende que muitos Presidentes de Câmara estejam contra como já aqui previra e justificara, afinal dar aos que menos têm recebido à luz dos atuais critérios faz reduzir a fração destinada aos que até agora têm tido direito a mais dinheiro e em época de crise é difícil estar disponível neste sentido.

Assim embora considere mais altruísta colaborar para encontrar uma solução mais justa, compreendo recusas e até aceito que Presidentes de Câmara se lamentem em paralelo de outras insuficiências maiores nos seus territórios para justificar um não, mas ripostar contra uma proposta política alimentando ódios históricos e bairrismos, além de ser baixa política, demonstra mau carácter e mais grave ainda quando as mesmas foram proferidas do interior da um templo religioso… mas isto já tem a ver com muito conluio que existe entre clero e governantes.

Na política admito o confronto de ideias, a argumentação mais ou menos tensa e a possibilidade de desacordo, embora prefira a cooperação e o entendimento, mas num caso ou outro não é preciso provocações, nem agressões contra pessoas ou populações, embora saiba que não é raro isto acontecer e normalmente nestas situações os prejuízos são bem maiores a longo prazo que no curto, mas também é comum numa democracia pouco instruída o futuro ser o mais sacrificado, basta olhar para a história da última república do País em que vivemos.

Read Full Post »

O meu artigo de ontem no jornal Incentivo:

BOA PROMESSA PARA O FAIAL

Ao contrário do que certas pessoas pensam e até alguns interesseiramente tentam fazer crer: não me dá prazer algum denunciar a falta de investimento, a quebra de promessas dos que governam os Açores ou a Horta e outas situações graves para a ilha onde resido. Faço-o sobretudo por que desejo o melhor para o Faial, a terra de onde descendo e quando jovem escolhi para viver.

Assumo até que me dá muito mais prazer fazer artigos a elogiar quando se resolve de facto um qualquer problema da nossa Região e Ilha, até porque, como residente deste Arquipélago beneficio diretamente da resolução dos aspetos que estão mal e prejudicam o Faial.

Contudo, sinto que alertar para situações que estão mal e apresentar propostas ou exigências para esta terra é não só um serviço público, como ainda um ato de coragem. Esta última é mesmo necessária quando se tem consciência de se viver numa terra onde há a tendência da força política instalada no poder se perpetuar no lugar e de estender tentáculos a todos os nichos da sociedade. Logo não o faço por ambição, pois, como se tem visto e para estas condições de terreno, se quisesse subir na vida era bem mais fácil fazê-lo através da conversão e submissão aos que exercem o poder, em vez de os enfrentar pela denúncia, crítica e voz reivindicativa. Seduções até houve quem as fizesse no passado.

Feita esta introdução, digo que foi com grande prazer e esperança que ouvi o anúncio do Presidente do Governo dos Açores sobre o arranque no segundo semestre do próximo ano de obras de ampliação do Hospital da Horta, não só para melhorar as condições de várias valências deste estabelecimento: Cuidados Intensivos, Urgência, Diálise, Medicina Hiperbárica e Consulta Externa; mas também, construir uma ala para o Centro de Saúde da Horta e assim as duas unidades do sistema de saúde no Faial passarem a funcionar juntas e melhorarem as suas sinergias.

Não sou ingénuo ao ponto de não reconhecer que no passado também já ouvi promessas referentes ao Faial que não se cumpriram e haverá eleições nacionais, mas também sei que quem fez o anúncio apresentou um calendário, permitindo assim agendar a data para verificação da concretização ou não da palavra de Vasco Cordeiro. Assim, por agora dou-lhe o benefício da dúvida.

Reconheço que em situação de crise financeira os gastos devem ser racionalizados ao máximo, mas a saúde é um setor estruturante e determinante para uma sociedade e garantir boas condições de funcionamento de um hospital e criação de sinergias para rentabilizar ao máximo os serviços prestados cabem perfeitamente na racionalidade.

É verdade que se inicia agora um novo Acordo de Parceria entre Portugal e a União Europeia a distribuir fundos por programas operacionais a beneficiar no nosso País até 2020 e que os Açores são a região nacional que mais dinheiro per capita vai receber e fico satisfeito que se faça proveito destas verbas em benefício do Faial.

Claro que este contentamento não invalida que mantenha a preocupação sobre a necessidade do aparecimento de projetos de desenvolvimento económico do Faial geradores de emprego e de bens transacionáveis: para assegurar postos de trabalhos aos jovens e adultos desempregados de hoje e também aos das próximas gerações.

Não é suficiente ter um bom hospital para se poder viver no Faial, também tem de haver condições para as pessoas cá continuarem a obter os seus rendimentos para se manter um número de habitantes que dinamize as unidades de saúde, de ensino, cultura, lazer e o comércio; bem como garantir uma boa acessibilidade, onde se inclui a ampliação da pista do nosso aeroporto, um dos investimentos estruturantes mais necessários à nossa ilha que, com a segunda fase da variante e as obras de ordenamento do lado sul do porto da Horta, estão entre as que mais têm sofrido da falta de cumprimento das promessas de investimento e do adiar de calendários de execução nesta ilha.

Por agora fica apenas o regozijo pela promessa de ampliação do Hospital da Horta, só espero não sofrer nenhuma desilusão nesta matéria e poder assistir com saúde à sua concretização.

Read Full Post »

Posso estar enganado e até o desejo intensamente, mas não acredito que seja viável um acordo de cessar-fogo de carater permanente ou mesmo de longo prazo entre Israel e o Hamas, como o que há pouco começou a ser noticiado.

Contudo a ser alcançado será sem dúvida uma vitória para a humanidade, não só com benefícios para os palestinianos e israelitas, mas um passo de gigante para se alcançar uma paz mais global, para a redução do risco de confronto generalizado entre a civilização de cultura europeia (cristã/judaica e laica) e a civilização islâmica onde o laicismo é ainda pouco entendido por muitos.

Não que desapareçam todos os focos para uma guerra planetária, a própria Europa tem uma semente que pode germinar na Ucrânia, mas que este acordo a ser eficaz esvazia muito do extremismo associado à jihad: esvazia.

Queiram os Homens, Deus ou Alá que tal sucesso se consiga.

Read Full Post »

Christine Lagarde, diretora do FMI, não disse nada de novo, nem foi a primeira pessoa a defender um aumento de salários na Alemanha para ajudar a economia europeia nomeadamente Portugal.

O raciocínio está certíssimo, é uma forma de desvalorização relativa dos salários dos países periféricos, Krugman, prémio Nobel da economia em 2008, já em 2012 referiu algo de semelhante quando veio a Portugal: “Eu preferiria até que esse ajustamento fosse alcançado com os salários alemães a subirem em vez de serem os salários portugueses a caírem.”

O principal problema desta solução é que não depende do Governo de Portugal decidir isto e depois, mal os países ricos da zona euro aumentem os seus salários, logo por cá se começa a exigir aumentos semelhantes, tendo como argumento o aumento dos salários dos outros Estados da zona euro e tudo fica na mesma.

Contudo também é verdade que cortar continuamente salários ou subir sempre os impostos é uma solução já gasta e que comprovadamente não resolve o problema económico e financeiro de Portugal.

Read Full Post »

Desconheço os termos exatos deste manifesto para a mudança do sistema eleitoral dos deputados em Portugal, por isso não sei se estou plenamente de acordo com o mesmo.

Sei que há muito que defendo e escrevo-o praticamente desde o início deste blogue sobre a mudança do sistema eleição dos deputados, não só para a Assembleia da República (AR), mas também para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA). No conjunto assumo que apoio o seguinte:

– Aparecimento de círculos uninominais onde se possa saber exatamente em que pessoa se está a votar, de modo a responsabilizar o eleito diretamente com o seu eleitor na sua zona de eleição.

– Permissão para o surgimento de candidaturas sem apoio partidário, não defendo a hostilização dos partidos, mas também não é bom serem estes os “donos” exclusivos do poder legislativo.

– Redução do número total de deputados, tanto na AR como na ALRAA, não é preciso tanta gente que entra muda e sai calada dos plenários ao longo do mandato, nem pessoas apenas para fazer número nas comissões de trabalho pagas com o dinheiro escasso de um Estado ultraendividado e deficitário, apesar dos impostos altíssimos.

– Não considero imprescindível, mas aceito em paralelo círculos plurinominais de âmbito nacional ou alargados para eventuais correções de grandes disfunções de representatividade de pequenos partidos.

Read Full Post »

A fração do dinheiro total dos fundos comunitários disponível às autarquias dos Açores que cada município da Região tem direito de acesso baseia-se numa fórmula nacional do orçamento de estado que é independente desse concelho estar ou não isolado. Um dos critérios de repartição, entre outros diferentes, baseia-se num mínimo apenas pelo facto de ele existir. Assim, se imaginarmos duas ilhas com dimensão e população semelhantes, a que tiver mais concelhos automaticamente no seu todo receberá mais dinheiro.

É verdade que  depois entram outros critérios sobre a área, a população, a rede de estradas etc., mas mesmo assim, verifica-se que em termos de fundos comunitários sai beneficiado dividir uma zona num maior número de municípios, pois no fim essa área receberá por habitante mais dinheiro.

Durante décadas o Presidentes de Câmara da Horta queixaram-se de que o Faial era prejudicado em termos de fundos face a outras ilhas de dimensão populacional ou área semelhante mas com mais concelhos e que a Associação de Município dos Açores (AMRAA), que tradicionalmente era liderada pelo PSD, não aceitava alterar os critérios. Infelizmente no mandato passado a Presidência da AMRAA já era presidida por um socialista e não houve qualquer sinal de alteração de critérios por parte desta queixa da Horta dita por norma dentro da ilha. Diga-se que Corvo, Graciosa e Santa Maria são igualmente penalizados como o Faial.

Agora por iniciativa dos vereadores da PSD-Faial e aprovação por unanimidade da Câmara Municipal, finalmente se ouve que a AMRAA está disponível a procurar corrigir esta situação levantada pelo associado Horta, não basta estar aberto, vamos a ver se neste caso a justiça se sobrepõe aos interesses bairristas de cada concelho individual, é que dar mais aos que têm tido menos faz restar menos aos que têm tido até agora acesso a mais e o socialismo, por norma, fala em dar mas raramente está disponível para dar do seu, prefere gastar o que é dos outros. Por agora o pedido de correção é liderado por um município do PS e quatro das três ilhas a despenalizar são concelhos socialistas numa larga maioria de autarquias regionais rosas.

Confesso que gostaria que sim se corrigisse, mas tenho muitas dúvidas…

Read Full Post »

O mundo anda muito instável e os ocidentais demasiado divididos em esquerda e direita para usarem de bom-senso nas principais ameaças à paz mundial.

Independentemente da asneirada de Bush filho e Blair na segunda invasão do Iraque, não é simplesmente saindo agora deste País e abandonando-o à sua sorte que se conquista a paz, tal como o incompetente gestor de política mundial Obama fez e que aqui denunciei e alertei para os riscos que daí adviriam. É lindo e romântico obedecer aos grupos idealistas de esquerda pacifista e anticapitalistas que se manifestam na ruas, mas o mundo não é a preto e branco e as boas decisões raramente contentam as posições extremadas de um lado ideológico ou do outro.

O Estado Islâmico, tal como previra, tem vindo num crescendo nos últimos tempos e depois da força que adquiriu, mas agora começam as promessas do mesmo Obama para ajuda ao combate deste Estado e o estado de choque mesmo entre islâmicos pelo extremismo dos jihadistas e a circular na internet e jornais os objetivos expansionistas manifestado pelo mapa do califado a construir, onde como seria de esperar Portugal é um dos países a dominar devido a já ter sido um domínio muçulmano e este blogue talvez com um paixão excessiva bem tem denunciado na série Toda a vossa atenção os extremismos que os guerrilheiros islâmicos estão a ter nos últimos tempos.

A verdade é que este mundo está mesmo muito inseguro e a Europa Ocidental desde a II Grande Guerra e, sobretudo, depois da queda do muro de Berlim que deixou de saber gerir a sua defesa contra as ameaças, mas o risco de um confronto de graves consequências pairam no horizonte. Espero que este acordar pelo Estado Islâmico não seja demasiado tarde.

Read Full Post »

Todos sabemos que por norma os Portugueses ganham mal e os médicos apesar de gerirem a formação de novos médicos a conta-gotas nas Universidades não são uma exceção, apesar de mesmo por esta gestão já terem vencimentos acima da média dos restantes profissionais, tanto no setor público, como privado, e  não me me preocupa que ganhem mais, desde que todos os outros grupos ganhassem pelo menos dignamente.

Foi a escassez de médicos e a recusa de ida destes para zonas do interior do País que levou à “importação” de médicos cubanos  de forma protocolar com Cuba, bem como à imigração de forma mais ou menos individual de outros vindos de nações diferentes, sobretudo do Brasil, Espanha e América Latina.

Alguém esperava que os médicos vindos de um País estrangeiro ao abrigo de um protocolo inter-estadual por urgente carência de médicos em Portugal, dada a necessidade extrema viessem em condições financeiras mais vantajosas para Portugal do que os que cá estavam? Se sim, ou é ingénuo ou não percebe que em situações de grande necessidade o preço é logo o meio normal de explorar quem precisa.

Os principais problemas que vejo na denúncia de agora sobre os médicos cubanos são dois:

– Portugal precisa de formar mais médicos, uma das poucas classes onde não há desemprego por gestão controlada da própria classe.

– O segundo ouvi num canal de TV, relaciona-se com o facto de haver um excedente de médicos em Cuba e ser este país não capitalista quem mais capitaliza com o gastos do nosso País nesse acordo, explorando a mão-de-obra dos médicos cubanos que envia e na prática estes, a título individual, ainda ganham menos  do que os médicos Portugueses que cá estão no setor público.

Read Full Post »

Portugal fez o quinto maior défice comercial da União Europeia nos primeiros cinco meses de 2014. Curiosamente os maiores nem foram todos de países pequenos e pobres, veja-se o caso da França e do Reino Unido, mas entre os estados mais defensores da austeridade sobre os Portugueses: a Alemanha e os Países Baixos, houve saldos positivos.

É normal que num dado momento um País tenha défice comercial ou seja: um valor maior de importações do que o de exportações; mas não é saudável que se persista neste saldo negativo de forma continuada, pois tal leva ao endividamento do Povo, a dívida privada ou pública acaba sempre por ser paga por cidadãos.

Pior ainda, se um Povo tem a seu cargo o pagamento de uma grande dívida privada e ainda uma enorme pública como é o caso de Portugal. Eu até compreendo que parte da dívida soberana nacional é injusta, por exemplo toda a que veio do BPN nacionalizado pelo PS e ainda outra proveniente do resgate da banca na “ajuda” da troika e uma fatia significativa dos acordos catastróficos da PPP que herdámos do passado e nisto estou de acordo com muito do que até diz o BE e outros grupos e movimentos de esquerda ou de cidadãos independentes.

O busílis é que em Portugal quando há mais dinheiro disponível nas carteiras, o que muita esquerda fundamenta como a solução para dinamizar a economia, há em paralelo um incremento de importações que abafa as receitas das exportações necessárias para pagar as nossas dívidas que deste modo aumentam e quando se ameaça não se pagar os credores, acusando-os de abutres, ou se quer reestruturar à força a dívida soberana, os que assim gritam esquecem-se que se importamos mais do que exportamos, depois de tal confronto ficamos a perder, pois não vejo como é possível melhorar o nível de vida sem pagar a dívida sendo deficitário nas nossas necessidades e consequentemente amarrado a ter de pagar a pronto mais do que produzimos.

 

Read Full Post »

Não escondo já que Passos me desiludiu como Primeiro-ministro, embora perceba a necessidade de certas medidas impopulares para gerir Portugal que alguns populistas nunca serão capazes de assumir enquanto estiverem fora do poder. Infelizmente Coelho não apresentou uma solução consistente e sustentável para sairmos da crise e ele foi o primeiro a não querer envolver o PS na resolução dos problemas nacionais o que mais tarde, como eu previ neste blogue, lhe veio a sair muito caro.

Até penso que Passos acreditava mesmo que com austeridade conseguia pôr Portugal no bom caminho e por isso quis ir além da troika, contudo, mesmo por essa via nem sempre foi justo na aplicação de cortes e penso até que nem sempre as suas ideias foram validadas pelo TC mais por questões políticas do que por razões técnicas e jurídicas.

Agora o desafio de Passos sobre a reforma da Segurança Social aos líderes das primárias do PS veio demonstrar é que tanto Seguro como Costa não têm de facto soluções alternativas práticas e populares para o problema e por isso, ambos fugiram ao debate como qualquer político medíocre a que os portugueses se habituaram nos últimos anos.

Antes Passos não teve coragem de assumir o grau de dificuldades que o Povo iria enfrentar se ganhasse as eleições e depois foi o que se viu. Agora Seguro e Costa nisto mostram que nada os distingue dele, pois aquele que tivesse uma solução popular e viável para o desafio da sustentabilidade das pensões e a propusesse em plena campanha das primárias teria seguramente apresentado a sua reforma e conquistado não só o PS, como também todo o País. Mas como nenhum tem, ambos se limitaram a fugir com o rabo à seringa… assim a mediocridade na política tende a continuar em Portugal.

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: