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Archive for 29 de Julho, 2014

Meu artigo de hoje no jornal Incentivo:

PASSAGENS AÉREAS E TURISMO – LUZES E SOMBRAS

Na última semana foram divulgados acordos e dados estatísticos nos transportes aéreos e no turismo que perspetivam não só coisas boas, mas também perigos para o futuro.

Nas coisas boas está uma parte do acordo celebrado pelos Governos de Lisboa e dos Açores para o novo regime de preços e serviço público nas ligações aéreas entre a Região e o Continente, o qual leva a uma baixa do preço final destas passagens para os residentes de qualquer ilha do Arquipélago, passando o custo final da viagem de avião a 134€. O que é inferior ao preço atual.

Disse e repeti “final” pois na prática pode ser bem maior a quantia de dinheiro que cada residente tem de disponibilizar na hora da compra do bilhete, uma vez que apenas o Estado se obriga a reembolsar depois (até 3 meses) o montante pago acima do 134€ no ato da compra, entretanto o Açoriano aguarda pelo reembolso desse diferencial. Assim, pode acontecer que no momento da viagem a pessoa tenha até de pagar mais do que acontece agora.

Logo, não basta ter 134€ e lugares no avião para se poder comprar o bilhete, é preciso ter disponível no momento o dinheiro que a companhia cobra acima do acordado, cujo diferencial limite não está definido, podendo-se deste modo prejudicar Açorianos de menores recursos e beneficiar os outros com mais posses.

Apesar deste inconveniente, não deixa de ser positivo que, desde que se tenha um fundo de maneio pessoal que atinja preço cobrado pela TAP ou SATA e após o encontro de contas, o custo da passagem normal seja inferior ao que atualmente se pratica, até por que não se eliminaram as tarifas promocionais, resta saber se estas continuarão em igual número ou não. Assim, existem espinhos silenciados para além do perfume das rosas do anúncio do Governo dos Açores.

Em paralelo compreendo o descontentamento dos que se lamentam que este acordo liberalize as ligações aos aeroportos de São Miguel e Terceira, viabilizando as viagens “low cost”, mas não faça o mesmo para Santa Maria, Pico e Faial. Aceito que talvez não existissem companhias de baixo custo interessadas em voar para estas 3 infraestruturas, mas porque impedir tal possibilidade no acordo em vez de deixar ser o mercado a provar isso?

Não teria sido preferível apenas salvaguardar o preço de serviço público nos moldes deste acordo, para garantir que um Faialense não ficasse prejudicado em caso de desinteresse comercial privado, mas sem fechar à partida o aeroporto a ligações de baixo custo? Quem tem medo de tal abertura? O Governo dos Açores por causa dos interesses das ilhas maiores ou a sua empresa SATA? O Governo da República para assegurar interesses da TAP? Parece que nisto algo está mal contado.

Uma coisa acredito, será a capacidade do Faial, Pico e São Jorge de atrair passageiros, sobretudo turistas, para o Triângulo que poderá forçar um dia a se mudar esta situação e levar a que nesta zona do Arquipélago nasça o interesse noutras empresas de voar para aqui.

Infelizmente os dados estatísticos do primeiro semestre 2014 não são favoráveis aos anseios de se aumentar o número de ligações e rotas do Triângulo com o exterior, tendo em conta que o número de turistas por aqui decresceu, ao contrário dos Açores: um mau presságio para este setor e um revés nas reivindicações para obras nas infraestruturas aeroportuárias que por cá existem.

Mas estes dados levantam ainda outras questões: O que mudou? Pois, diferente de outros períodos, o Faial passou a perder turistas em contraciclo. Culpa dos empresários locais ou de estratégias concorrenciais nos Açores que desviam turistas para outras ilhas? Economicamente não interessa à Região tirar visitantes de uma ilha para outra, mas sim atrair novos visitantes sem ninguém perder.

Serão as restrições do aeroporto da Horta e Pico que impedem melhores resultados no turismo do Triângulo ou serão os baixos resultados destas ilhas que justificam o não desbloquear de um conjunto de reivindicações que os residentes destas parcelas insulares exigem?

Um círculo vicioso que importa quebrar e tal só é viável com uma estratégia inteligente e unida das pessoas que moram no Triângulo, tanto políticos, como empresários e até meros cidadãos que gostem ou residam nestas ilhas.

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