Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Julho, 2014

Independentemente de todo o escândalo em torno do grupo Espírito Santo, quem olha  para aquele que era o maior banco privado em Portugal há poucos meses atrás, avaliado então em mais de 6.000 milhões de euros e descobre que ontem já valia apenas de 2.000 milhões de euros e hoje continua a desvalorizar-se, deve ficar a perceber quanto é falacioso o crescimento económico baseado não na produção industrial e de serviços transacionáveis, mas sim num consumo alavancado na dívida, obras públicas não reprodutivas e engenharia financeira que leva a uma valorização bolsista e dá a sensação de uma riqueza aparente não cimentada na realidade.

Os receios de contaminação da crise do BES, que levaram às quedas da PT e outras empresas e bancos, demonstram bem que também a ideia de sair da crise sem salvar o setor financeiro alimentada pelo conceito de “os ricos que paguem a crise” é perigosa, embora se compreenda que o modelo de resgate seguido deveria ser mais justo e repartir os custos não só pelos rendimentos de trabalho, das pensões e das PME.

É que de um dia para o outro a riqueza de capital desaparece com a descoberta de uma fraude, de uma suspeita e volatiliza-se, simplesmente o valor ou o dinheiro deixa de existir, o que já não acontece com uma riqueza baseada nos produtos palpáveis produzidos quer seja uma simples maçã ou uma máquina… mas assumo, eu nisto sou um conservador que ainda pensa como na revolução industrial.

Read Full Post »

Depois de Seguro denunciar que Costa não diz nada diferente do que o atual Secretário-geral do PS já dizia, depois de César esclarecer que nas primárias do PS não importa as diferenças entre Seguro e Costa, deixando passar a ideia que na prática os dois são iguais e só há o efeito sebastiânico do segundo para benefícios eleitorais, eis que agora António Costa de uma rajada esclarece que a sua diferença face ao atual Governo é só de dosagem da medicação

Até dou de barato que Passos possa ter aplicado uma sobredosagem de austeridade, talvez pensando que medicamento a mais gerava uma cura mais rápida e esquecendo que isso poderia ser contraproducente, mas o que ficamos mesmo a saber desde de já é que com Costa teremos uma austeridadezinha, não sei se por mais tempo do que queria o atual Primeiro-ministro e não uma mudança de estratégia e só estamos ainda em período de campanha eleitoral, imagine-se depois na prática.

Seguramente uma desilusão para aqueles que apostavam numa mudança de medicação na gestão da crise…

Read Full Post »

Meu artigo de hoje no jornal Incentivo:

PASSAGENS AÉREAS E TURISMO – LUZES E SOMBRAS

Na última semana foram divulgados acordos e dados estatísticos nos transportes aéreos e no turismo que perspetivam não só coisas boas, mas também perigos para o futuro.

Nas coisas boas está uma parte do acordo celebrado pelos Governos de Lisboa e dos Açores para o novo regime de preços e serviço público nas ligações aéreas entre a Região e o Continente, o qual leva a uma baixa do preço final destas passagens para os residentes de qualquer ilha do Arquipélago, passando o custo final da viagem de avião a 134€. O que é inferior ao preço atual.

Disse e repeti “final” pois na prática pode ser bem maior a quantia de dinheiro que cada residente tem de disponibilizar na hora da compra do bilhete, uma vez que apenas o Estado se obriga a reembolsar depois (até 3 meses) o montante pago acima do 134€ no ato da compra, entretanto o Açoriano aguarda pelo reembolso desse diferencial. Assim, pode acontecer que no momento da viagem a pessoa tenha até de pagar mais do que acontece agora.

Logo, não basta ter 134€ e lugares no avião para se poder comprar o bilhete, é preciso ter disponível no momento o dinheiro que a companhia cobra acima do acordado, cujo diferencial limite não está definido, podendo-se deste modo prejudicar Açorianos de menores recursos e beneficiar os outros com mais posses.

Apesar deste inconveniente, não deixa de ser positivo que, desde que se tenha um fundo de maneio pessoal que atinja preço cobrado pela TAP ou SATA e após o encontro de contas, o custo da passagem normal seja inferior ao que atualmente se pratica, até por que não se eliminaram as tarifas promocionais, resta saber se estas continuarão em igual número ou não. Assim, existem espinhos silenciados para além do perfume das rosas do anúncio do Governo dos Açores.

Em paralelo compreendo o descontentamento dos que se lamentam que este acordo liberalize as ligações aos aeroportos de São Miguel e Terceira, viabilizando as viagens “low cost”, mas não faça o mesmo para Santa Maria, Pico e Faial. Aceito que talvez não existissem companhias de baixo custo interessadas em voar para estas 3 infraestruturas, mas porque impedir tal possibilidade no acordo em vez de deixar ser o mercado a provar isso?

Não teria sido preferível apenas salvaguardar o preço de serviço público nos moldes deste acordo, para garantir que um Faialense não ficasse prejudicado em caso de desinteresse comercial privado, mas sem fechar à partida o aeroporto a ligações de baixo custo? Quem tem medo de tal abertura? O Governo dos Açores por causa dos interesses das ilhas maiores ou a sua empresa SATA? O Governo da República para assegurar interesses da TAP? Parece que nisto algo está mal contado.

Uma coisa acredito, será a capacidade do Faial, Pico e São Jorge de atrair passageiros, sobretudo turistas, para o Triângulo que poderá forçar um dia a se mudar esta situação e levar a que nesta zona do Arquipélago nasça o interesse noutras empresas de voar para aqui.

Infelizmente os dados estatísticos do primeiro semestre 2014 não são favoráveis aos anseios de se aumentar o número de ligações e rotas do Triângulo com o exterior, tendo em conta que o número de turistas por aqui decresceu, ao contrário dos Açores: um mau presságio para este setor e um revés nas reivindicações para obras nas infraestruturas aeroportuárias que por cá existem.

Mas estes dados levantam ainda outras questões: O que mudou? Pois, diferente de outros períodos, o Faial passou a perder turistas em contraciclo. Culpa dos empresários locais ou de estratégias concorrenciais nos Açores que desviam turistas para outras ilhas? Economicamente não interessa à Região tirar visitantes de uma ilha para outra, mas sim atrair novos visitantes sem ninguém perder.

Serão as restrições do aeroporto da Horta e Pico que impedem melhores resultados no turismo do Triângulo ou serão os baixos resultados destas ilhas que justificam o não desbloquear de um conjunto de reivindicações que os residentes destas parcelas insulares exigem?

Um círculo vicioso que importa quebrar e tal só é viável com uma estratégia inteligente e unida das pessoas que moram no Triângulo, tanto políticos, como empresários e até meros cidadãos que gostem ou residam nestas ilhas.

Read Full Post »

Embora acredito que Portugal tenha promovido o seu País, incluindo a localização dos Açores, nas visitas e contactos que fez com a China, a experiência diz-me que esta só se deixa influenciar quando ela própria está interessada ou suspeita que daí pode mesmo tirar dividendos.

O facto de Xi Jinpiing ter decidido no seu regresso à China de uma visita oficial à América Latina definir uma rota onde fez escala nos Açores, se ter deslocado na Terceira e estabelecido contactos com autoridades nacionais são um sinais claros de que o maior Estado de mundo pensa que o Arquipélago lhe pode ser útil. Não sei ainda que tipo de interesse ela tem: plataforma giratória de mercadorias que passaram o canal do Panamá para entrar na Europa? Instalação de uma plataforma logística? Outros investimentos? Desconheço

Sejam quais for, o facto é que tal indicia que os Açores podem mesmo tirar proveito desta situação, tal como estes não devem deixar passar a oportunidade após várias empresas de laticínios regionais terem sido certificadas para poderem colocar os seus produtos na China, É que este País além de ser o mais populoso no planeta, tem mesmo carência de produtos alimentares e isto é uma porta escancarada a quem souber satisfazer a necessidade alimentar daquele Estado e não pensar apenas como um nicho exótico para acolher os nossos produtos.

Efetiviamente, esta é a primeira vez em muitos anos em que vejo que foram os estrangeiros que se interessaram mais por nós do que a capacidade que nós temos tido em saber penetrar no exterior e foram situações destas que estiveram na base de casos de investimentos de sucesso  para os Açores como: as escalas marítimas no comércio internacional nomeadamente a vinda da família Dabney, os cabos submarinos na Horta, o aeroporto internacional de Santa Maria e a Base das Lajes. Saiba o País e a Região aproveitar esta oportunidade.

Read Full Post »

Lembro-me do tempo de Vale Azevedo que enquanto não perdeu as eleições para o Benfica nunca se ouviu da justiça ter atuado sobre ele apesar das numerosas acusações de crimes que logo a seguir o acusou.

Não me lembro de nenhum Primeiro-ministro ter sido acusado de gestão danosa e se nalguns casos houve o assumir de investigações, estas resultaram mais em os ilibar durante o seu exercício e depois enquanto estão na vida pública nunca foram acusados de nada, apesar de Portugal ter ido 3 vezes à bancarrota nos últimos 40 anos.

Agora que Ricardo Salgado saiu da Direção do Banco começa-lhe já a cair em cima um processo antigo, quando até há dias não se falava às claras como envolvido na Operação Monte Branco.

Há uma coisa que pelo menos a justiça não se livra em Portugal, é de haver pessoas como eu que pensam que ela só atua forte com os fracos e com os fortes só depois destes caírem por motivos que são alheios à justiça… isto pode não ser totalmente verdade, mas é o que parece e se não política o que parece é, não vejo por que há de ser diferente na justiça.

Read Full Post »

Soromenho

Acabei de ler o ensaio “Portugal na Queda Europa” de Viriato Soromenho Marques, a obra não se limita ao período da atual crise das dívidas soberanas, faz também um historial do velho continente desde o século XIX para mostrar vários erros estratégicos que conduziram não só ao seu declínio, como a três grandes guerras e todas elas fruto de más opções nas lideranças na Alemanha.

A obra não é um manifesto contra a Alemanha, antes, utilizando ensaios do século XVIII sobre o modo dos governos e os povos organizarem a intervenção democrática, o autor procura demonstrar que a única saída sustentável e pacífica da crise das dívidas soberanas na eurozona está no federalismo tal como foi trilhado pelos EUA no século XIX.

Trata-se de um livro sem contraditório nesta crença e quando procura rebater as questões levantadas contra o federalismo Soromenho-Marques defende com os seus argumentos nem sempre inquestionáveis, contudo tem o mérito de mais do que acusar a Alemanha, a considera fundamental neste modelo, assumindo que a estatégida seguida por Merkel é mais de autodefesa e medo tendo em conta um passado mal contado do que uma aversão à Europa, centrando-se assim muito mais na crítica no modelo de mosaico intergovernamental de gerir a União Europeia. Mostra Portugal mais como vítima impotente do que um culpado do atual estado da nação e confesso que aprendi em paralelo muito sobre a Europa, a obra também me levantou novas dúvidas, embora tenha a passado a ver o federalismo de um modo bem mais aceitável e a não rejeitar à partida.

Read Full Post »

Apesar de reconhecer que num esbanjamento permanente nas contas públicas para incentivar  o crescimento económico é algo insustentável e Portugal foi um bom exemplo nessa questão, também a austeridade por austeridade para abater a dívida não é a solução e Portugal novamente está a ser um exemplo disto e o atual Governo tem de reconhecer o insucesso nesta questão.

Nunca acreditei em soluções extremadas, mas também já não acredito no bom-senso e no entendimento entre as principais forças políticas do País, que não param de se digladiar por votos em vez de ser por uma solução para Portugal, por isso cada vez mais vejo com preocupação o futuro deste e deixei de acreditar num Dom Sebastião há muito tempo.

Talvez também a falta de entendimento entre os maiores partidos resulte de um jogo escondido de que nenhum deles sabe mesmo como resolver o problema em que Portugal se meteu e não tenha coragem de o assumir, pois a vocação de poder abafa esta eventual realidade e andamos nisto há já vários anos.

Read Full Post »

Pode não ser perfeito, podem algumas ilhas com algum fundamento continuar a protestar que queriam ter o seu aeroporto aberto à concorrência comercial, nomeadamente às empresas de viagens áereas low-cost, como por exemplo o Faial e o Pico, mas prefiro que fique assegurado um preço base aceitável a todos os açorianos, como 134€, do que a liberalização comercial em todos os aeroportos gateways do Arquipélago e depois umas ficarem devido à sua dimensão com vôos baratos e as outras, por desinteresse das companhias sem passagens a bons preços, com os seus residentes prejudicados.

No caso do Faial, continuo a considerar fundamental a reivindicação de aumento da pista, mas mesmo que esta crescesse nada me dá a certeza absoluta que a seguir as empresas low-cost se interessariam em voar para o aeroporto da Horta, apenas ficaria viável poder-se estudar o estabelecimento de ligações com aviões maiores ao exterior e tal poderia viabilizar novas rotas, nomeadamente aos EUA e ao Canadá, para trazerem os nossos emigrantes diretamente a esta ilha ou outros turistas estrangeiros com novas origens, só que suspeito que mesmo assim tal não garantiria ligações frequentes dos faialenses ao resto do mundo, nomeadamente Lisboa a preços baixos.

Assim, mesmo sem ser a solução ideal, estou contente que os Governos dos Açores e o de Lisboa tenham chegado a acordo num regime de preços e comparticipação financeira mais favorável aos residentes no Arquipélago que o que estava presentemente em vigor, pena que nas melhores das hipóteses o mesmo comece a funcionar somente em 2015.

Read Full Post »

Penso que ainda é cedo para se acusar quem quer que seja do acidente do avião caído na Ucrânia, inclusive para se estar seguro de que este resultou de um incidente lateral proveniente da guerra civil que se trava na zona ou foi apenas fruto de um problema técnico na aeronave. Falta muito a investigar no terreno para se tirar as conclusões finais, felizmente parece haver cooperação de ambas as partes em confronto.

Todavia, a se provar ou a se conseguir acusar uma das partes em confronto na Ucrânia (pois em cenários bélicos a hipótese de manipulação dos factos nunca se pode excluir na totalidade), esta seria talvez a primeira grande consequência trágica de nível internacional e sobre civis resultantes de um conflito local gerado na Europa, fruto de políticas desastrosas e incompetentes da luta de influências entre a União Europeia liderada pela Alemanha e a Rússia após o termo da guerra fria.

Na Jugoslávia, onde também a força das armas foi culpa de erros de opções dos líderes no velho continente, as mortes de cidadãos foram sobretudo de residentes locais, enquanto a morte de cidadãos dos outros Estados concentraram-se essencialmente em forças militares e paramilitares que foram intervir nos Balcãs. Agora, a concluir-se pelo abate por um míssil, veremos um número significativo de cidadãos de estados da União Europeia, criada inicialmente para se evitar novas guerras no continente, a morrerem em solo europeu e isso não permitirá que os povos agora de luto deixem de reparar que os conflitos que correm à nossa porta são resultado de erros estratégicos nas lideranças da Europa aos quais ninguém está livre de vir a tornar-se vítima.

No cenário da abate do avião, a Europa terá de tomar consciência de que o rumo que o Velho Continente está a tomar, tanto ao nível das influências leste-oeste, como centro rico-periferia endividada, pode mesmo ser fraticida e suicida. Por agora estou chocado por saber que muitas das vítimas são holandeses de cidades onde passei dias felizes há bem poucos dias e saídos do mesmo aeroporto de onde tão recentemente vim para casa e compartilho o luto e a solidariedade.

ADENDA: Já começou o jogo de responsabilizar o outro… a “verdade” assim dificilmente pode nunca corresponder à realidade.

Read Full Post »

Quando muita coisa (não tudo) parecia indiciar que Portugal depois de sair do resgate com maior ou menor dificuldade iria ter um caminho de confiança acrescida, eis que surge o escândalo de BES que contagia todas as grandes empresas nacionais com quedas bolsistas, faz a PT perder posições na OI e dá uma machadada na credibilidade sobre a honestidade do principal chefe da mais importante família histórica de banqueiros do País.

Choquei-me com a entrada da Guiné Equatorial para a CPLP, mas também vi a situação como uma oportunidade para se pressionar esse País em prol dos direitos humanos, a verdade que erros como os que aconteceram no BPN, desconfianças no escândalo dos submarinos e outros, efeitos catastróficos das governações portugueses que nos levaram à falência que todos os portugueses estão a pagar tão caro e agora com o que vejo acontecer na família Espírito Santo e as suas repercussões sobre a economia nacional, bem como as coisas que se referem sobre este grupo financeiro na sua gestão em Angola, que já nem sei quem são os maus da fita neste País.

Assim, apesar de tudo, começo a ter mais receio de parceiros nacionais do que capacidade de criticar e de julgar os interesses de entrada da Guiné Equatorial no Banif que estão calmamente a ser negociados, infelizmente isto só indicia que é a moralidade em Portugal que anda a cair e nenhuma melhoria ao nível dos direitos humanos e ética política em África.

Talvez a Guiné Equatorial não seja pior que muitos interesses que sujaram Portugal e nos trouxeram até aqui…

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: