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Archive for 10 de Setembro, 2013

Continuo a pensar que se deve encontrar uma solução para o fim do conflito interno na Síria, tal como me choca o uso de armas químicas. Só que não sou ingénuo para acreditar que estes dois aspetos se resolvem com ataques conjuntos dos EUA e da França.

Tal como não acredito que esta guerra não esteja a ser alimentada por interesses exteriores, nem no desinteresse destes dois Países e ninguém me demonstrou que as forças que se opõem ao poder serão melhores para o seu povo e a suas múltiplas etnias e religiões e pior ainda, evidenciou que com os ataques pretendidos as coisas manter-se-ão dentro da Síria, nem que esta guerra não passará a ter repercussões mais gravosas no exterior, nomeadamente na Europa.

Por isso, mesmo sem acreditar numa boa vontade inocente e desinteressada da Rússia, prefiro uma solução pacífica a uma escalada bélica neste conflito e esta aceitação do governo de Assad tira argumentos a Hollande e ao prémio Nobel da Paz Obama.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo, um desabafo sobre a burocracia.

AO QUE ISTO CHEGOU!

Ao longo dos últimos anos tem-se falado da dificuldade crescente em haver pessoas disponíveis para ocupar os lugares de dirigentes das nossas coletividades e associações. Um problema grave, pois estas realizam um trabalho social, voluntário, gratuito e muitas vezes disponibilizam-se para tarefas comunitárias aonde os Governos e as Autarquias não chegam.

Quando jovem, integrei várias direções como sociedade filarmónica, clube desportivo, império, grupo paroquial de Caritas e com outras pessoas fundei e fui o primeiro Presidente da uma nova associação: a ADELIAÇOR, esta de cariz mais institucional. Contudo, há uma década considerei cumprido este papel social e passei a recusar solicitações para cargos dirigentes executivos, dando lugar a outros mais novos.

Infelizmente, a crise no dirigismo chegou a tal ponto que me senti na obrigação de ingressar na direção de uma Casa do Povo em 2012. Conhecia os trabalhos dos anteriores diretores: colaboração com entidades oficiais, coordenação das valências de apoio domiciliário e convívio de idosos, inscrição de equipas desportivas, organização de eventos culturais e festas para angariação de fundos e alguma burocracia; esta sempre desagradável mas pouca face à restante atividade e à importância do serviço comunitário.

Por isso esperava um fardo semelhante, o que não sabia é quanto a burocracia crescera ao longo de uma década, nem o salto que daria este ano! Primeiro foram as obrigações da República de colocar mensalmente faturas na internet, depois a imposição Regional de manter atualizado o portal da ação social dos beneficiários das valências de convívio e apoio domiciliário. Tarefas que acatei a contragosto e sem protesto por considerar este controlo minimamente compreensível.

Contudo o fardo da burocracia não parou aqui, ao abrigo de um Diploma aprovado na Assembleia Regional e com um prazo de 30 dias exigiram-se contratos de prestação de serviços com todos participantes do convívio de idosos (alguns já lá andavam há mais de 20 anos) e com os beneficiários de apoio doméstico (valência com uma década de funcionamento) e não satisfeitos: registos criminais e situação contributiva dos dirigentes, licenças de utilização de instalações, comprovativos de títulos de posse, quadro de pessoal, planos de atividades, instruções para o licenciamento, etc.

Não tentem desculpar-se com a Lei. Quem exige isto são os mesmos que, num lugar ou outro, fizeram o Diploma, o aprovaram ou o aplicam: o poder instalado; e já havia atividades protocoladas e subsídios há décadas com as coletividades destas ilhas. Os apoios cresceram pouco, mas a burocracia aumentou e muito. Além disso, não são os dirigentes de coletividades os responsáveis pelos grandes desperdícios de dinheiro públicos neste País e muito menos nos Açores.

Bem sei que algumas instituições devido às maiores exigências e à sua grande dimensão têm funcionários para trabalho burocrático, por vezes até pagos pela própria Administração, mas nem todas têm administrativos e nestas tudo é executado graciosa e voluntariamente pelas pessoas que se disponibilizam para os cargos de dirigentes associativos e de coletividades.

Perante tais exigências protestei com outros diretores. Confesso que lhes senti o medo de que a minha recusa pudesse vitimizar os idosos e beneficiários inocentes que indiretamente são apoiados pelo nosso trabalho. Argumentaram com o silêncio de outros dirigentes estoicamente a sofrer. Vi o receio deste tipo de serviços deixar de ser feito pelas instituições da localidade, cuja qualidade e humanismo nunca seria igual se coordenada por pessoas exteriores.

Compreendo tudo isso, mas mesmo obedecendo e a cumprir gratuitamente com muitas horas de trabalho, há que denunciar e dizer basta! Quem exige tem um apetite voraz de burocracia que ultrapassa o bom senso. Tenho de levantar a situação antes que acabem definitivamente com a disponibilização desinteressada de pessoas para o dirigismo nas nossas tradicionais coletividades e espero que isto não se transforme em arma de retaliação, mas numa busca de soluções mais aceitáveis para todos os dirigentes voluntários destas ilhas.

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