A autonomia nos moldes que foram as últimas décadas está a colocar os Açores numa situação de dependência das boas-vontades do exterior, Lisboa ou Bruxelas, quer por a sobrevivência do poder político se ter feito sempre baseado em obras públicas com fundos maioritariamente suportados por subsídios comunitários inicialmente e depois com recurso ao endividamento das futuras gerações, quer por muitos dos investimentos não terem tido um cariz reprodutivo ou gerador de crescimento económico após a sua conclusão.
Assim, compreendo as declarações de Berta Cabral sobre a necessidade de apoiar a iniciativa privada, dificilmente os Açores terão capacidade de criarem grandes empresas, mas poderão criar uma rede de pequenas a médias empresas geradoras de riqueza e de emprego.
Efetivamente, um dos grandes desafios para a autonomia açoriana é ser capaz de gerar riqueza, com dimensão suficiente para sustentar os serviços que a região presta aos Açorianos e estes desejam e de ser absorvedor de emprego para uma geração jovem que a administração pública e as obras públicas já não conseguem continuar a acolher.
Meras promessas de mais obras para depois das eleições nada mais são que recurso a técnicas eleitorais ultrapassadas, que já poucos se deixam convencer e demonstrativas de falta de ideias para resolver os problemas socioeconómicos atuais dos Açores.


Com todo o respeito Dr. Carlos Faria, a Drª Berta Cabral tem alguma vez capacidade e peso politico para empreender um «novo ciclo» para a nossa Autonomia? Ela que foi o rosto aqui na Região do actual Presidente da República e da nomenklatura acolitada no Terreiro do Paço, Quinta da Marinha, Cascais e Quinta da Coelha?
Ou não será ela a melhor intérprete para aplicar nestas ilhas, exploradas e vilipendiadas à mais de 500 anos, a receita do Terreiro do Paço, onde pontifica a austeridade e a rapina para os mais fracos?
Ainda hoje sobre que o Estado Português vai injectar mais 300 milhões no BPN para o vender por 40 milhões à cleptocracia de Angola…
Mas o que é isto?
Há dinheiro para isto e não há dinheiro para as autarquias açorianas e para pagar a ocupação do nosso território?
O problema dos preconceituosos é que dificilmente são capazes de discutir um tema além da divulgação dos seus preconceitos.
O artigo refere que compreende a declaração, não faz qualquer comentário sobre o seu autor, pois não era isso que estava em causa, o desafio está todo exposto no terceiro parágrafo.
“Efetivamente, um dos grandes desafios para a autonomia açoriana é ser capaz de gerar riqueza, com dimensão suficiente para sustentar os serviços que a região presta aos Açorianos e estes desejam e de ser absorvedor de emprego para uma geração jovem que a administração pública e as obras públicas já não conseguem continuar a acolher.”
Tudo o resto que levantou são questões legítimas, mesmo que envolvidas com os seus preconceitos contra Portugal, fora do contexto que este artigo levanta.
Pode fazer um blogue sobre os seus temas prediletos, agora aqui vai ter de começar a entrosar-se com os temas lançados no meu espaço.
Não entendi a animosidade do C.Faria contra o Roberto, e precisamente em relação a um comentário em que ele não faz apologia expressa da solução que protagoniza recorrentemente.
Penso que o Roberto estava a comentar esta afirmação: “A autonomia nos moldes que foram as últimas décadas está a colocar os Açores numa situação de dependência das boas-vontades do exterior, Lisboa ou Bruxelas, …”, adicionando-lhe, é certo, a opinião de que isso já vem de há 500 anos e que não é a Berta Cabral que tem “estaleca” (esta é minha) para inverter a situação que se vive nos Açores. Eu partilho da mesma opinião.
Vejamos, num rápido paralelismo, a contradição entre o que defende o C.Faria e o que está subjacente às declarações de Berta Cabral:
-C.Faria: “Efetivamente, um dos grandes desafios para a autonomia açoriana é ser capaz de gerar riqueza, com dimensão suficiente para sustentar os serviços que a região presta aos Açorianos e estes desejam e de ser absorvedor de emprego para uma geração jovem que a administração pública e as obras públicas já não conseguem continuar a acolher”. Perfeitamente de acordo!
-Berta Cabral: “É preciso urgentemente ter novas políticas públicas para apoiar a atividade económica e isso só se consegue com novas estratégias e novos protagonistas políticos”. Até parece bonito!
Mas, logo a seguir: Berta Cabral realçou, no entanto, que “os poderes públicos têm dar espaço aos poderes privados”.
Em que é que ficamos, afinal? Primeiro, são precisas “políticas públicas” para apoiar a atividade económica, mas logo a seguir, “os poderes públicos têm que dar espaço aos poderes privados”?!
Só há duas interpretações:
1ª. – A senhora ainda é pior que eu julgava e nem sabe o que está a dizer porque não se consegue conciliar dinamização pública da economia dando espaço aos poderes privados sem depauperar as finanças públicas. Ora, isto contradiz o C.Faria quando defende “… é ser capaz de gerar riqueza, com dimensão suficiente para sustentar os serviços que a região presta aos Açorianos e estes desejam e de ser…”
2ª. – A senhora sabe o que está a dizer e, então, ainda é pior que Passos Coelho e Cavaco juntos, preconizando o desvio de dinheiros públicos para gáudio de investimentos privados. O resultado imediato serão cortes em tudo e mais alguma coisa, para ocorrer às necessidades e exigências e dependências criadas pelos poderes privados, em detrimento dos tais “serviços que a região presta aos Açorianos e estes desejam”.
Eu servi-me de uma frase de Berta Cabral para lançar um tema, não propus a discussão sobre uma pessoa, nem a manifestei qualquer concordância ou discordância sobre a mesma relativamente às virtudes ou defeitos como candidata.
Roberto Carreiro aproveitou para atacar a gestão do continente para considerar que os Açores foram vilipendiados e explorados por 500 anos, argumento que é a base do separatismo, pois tem subjacente que aqui não éramos Portugueses. Para mim os Açorianos sofreram na pele os efeitos do centralismo, tal como o interior do País longe de Lisboa, por isso sou um regionalista.
No seu caso também optou por discutir a pessoa, mas através do discurso dela, o que lhe dá alguma legitimidade, embora não propondo nenhum desafio novo, ao menos não atacou 500 anos de Portugal e isso já é positivo. Fiquei a ter a desconfiança que o BE também não tem qualquer modelo autonómico sobre o desafio que propus.
Já Roberto Carreiro quase permanentemente utiliza este blogue para defender a autodeterminação dos Açores e eu já algum tempo que dou sinais de saturação desse aproveitamento. É livre para o fazer nos seus espaços, mas não para monopolizar esta página para atacar o País que eu livre e conscientemente aceitei pertencer e cuja nacionalidade em idade adulta assumi, aqui é para se Pensar os Açores e Portugal sem amarras, mas não é para decepar Portugal. Lembre-se que embora eu seja Canadiano com orgulho, também sou Português por opção.
Como disse o C.Faria, eu comentei os pontos-chave discurso de Berta Cabral a que o AO deu destaque, comparando-os com as ideias-chave deste “post”.
O Carlos preferiu ficar desconfiado em relação ao modelo autonómico do BE, em vez de rebater ou concordar com as contradições que evidenciei. Não o quero “acusar” de fuga para a frente ou de assobiar para o lado, mas, na realidade foi o que aconteceu, sem essa intenção, acredito.
Mas eu não me esquivo a repor-lhe a confiança nas propostas do BE. Porém, como é evidente, não vou abusar do seu blog para expor, mesmo que resumidamente, o que preconiza o BE para a economia açoriana. Fá-lo-ei, a breve trecho, no meu espaço pessoal e convido-o, depois, a comentar.
Em relação a autonomia, centralismo e independentismo, julgo não deixar dúvidas e uma coisa é certa: não vou deixar de lutar contra centralismos redutores, mas sempre ao abrigo dos poderes autonómicos constitucionais que a República Portuguesa estabeleceu para os Açores, e do Estatuto da nossa Região, aprovado na nossa Assembleia Legislativa, e cá reafirmado, contra tudo e alguns tolos.
Ao abrigo do nosso Estatuto, irei contribuir para o todo nacional, mas da forma que os açorianos entenderem e não como qualquer centralista bacoco quiser. Ao abrigo do mesmo Estatuto irei lutar para que a nossa Região seja o melhor exemplo de condições dignas e justas para quem cá vive.
Não Mário Moniz, eu não fugi à questão apenas quis manifestar a minha intenção de querer justificar e encerrar em definitivo o aproveitamento deste espaço como local aonde quase todos os dias se defende a independência dos Açores. Quem o defende deve criar o seus espaço e discuti-lo, sem inviabilizar o que outros querem discutir nos seus.
No estilo que se transformou a região, não me choca que numa fase inicial o poder público apoie o privado para este crescer e ter depois capacidade de sobrevivência. Agora não desejo que este depois se mantenha como um sorvedouro de dinheiros públicos para se manter enquanto os seus proprietários extraem lucros desse parasitismo
Claro que numa política mais à esquerda de desconfiança dos privados, apoiar estes inicialmente para que depois daí possam tirar lucros é algo extremamente negativo, mas no passado recente o subsidiar os privados para deixarem de produzir foi muito mais gravoso. Agora há que inverter a filosofia para mudar a agulha desta bússola
Paralelamente, criou-se uma região onde praticamente todos os nichos económicos e sociais têm intervenção dos dinheiros públicos em concorrência com os privados e infelizmente nem sempre com as melhores gestões financeiras.
Mas o que mais nos destruiu foi que se investiu sobretudo para conquistar votos mas deixando a riqueza ficar congelada na obra, sem fomentar investimentos com igual peso em empreendimentos que desencadeassem produtos transacionaveis e aumentasse a riqueza à posteriori.
Não sei exatamente o que pensa Berta Cabral, nunca a questionei sobre o assunto para poder decompor a ideia dela.
Vou extrair algumas afirmações do C. Faria e, acrescentando uma ou outra palavra, no essencial até estamos de acordo.
Vamos a esse exercício:
“Claro que numa política mais à esquerda, HÁ QUE USAR de desconfiança NA INTENÇÃO DE ALGUNS dos privados, PORQUE apoiar estes inicialmente para que depois daí possam tirar lucros SEM QUE DÊEM EM TROCA UM CORRESPONDENTE CONTRIBUTO À DINAMIZAÇÃO DA ECONOMIA, é algo extremamente negativo, mas no passado recente o subsidiar os privados para deixarem de produzir foi muito mais gravoso. Agora há que inverter a filosofia para mudar a agulha desta bússola, FOMENTANDO A DINAMIZAÇÃO DA ECONOMIA ATRAVÉS DA IMPLEMENTAÇÃO DE ACTIVIDADES ECONÓMICAS QUE PROMOVAM A DIVERSIFICAÇÃO E O AUTO-ABASTECIMENTO, A DIMINUIÇÃO DAS IMPORTAÇÕES E O APARECIMENTO DE INDÚSTRIAS À NOSSA DIMENSÃO, AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEIS E GERADORAS DE EMPREGABILIDADE ESTÁVEL. EM SUMA, QUE OS DINHEIROS PÚBLICOS INJECTADOS NO APOIO E PROMOÇÃO DA INICIATIVA PRIVADA, TENHAM RETORNO PROFÍCUO E POSSAM CONSTITUIR UM PROVEITO PARA A SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA DOS SERVIÇOS A CARGO DO ESTADO, BEM COMO UMA JUSTA REDISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA PRODUZIDA”.
(As MAIÚSCULAS são minhas, e, em linhas gerais, até dá para entender o que defende o BE).
Estamos de acordo?
À primeira vista não divergimos, depois com o pormenorizar talvez nascessem as primeiras divergências, mas isso é normal.