Esta crise das dívidas soberanas tem sido fértil em fazer cair direitos adquiridos e tabus… enquanto em Portugal ainda se discute tolerâncias de ponto e se procura reduzir o número de funcionários públicos com mecanismos de reformas antecipadas e as almofadas das listas dos disponíveis, na Grécia já se corta a direito e vão ser despedidos 15 mil funcionários públicos.
Esta situação é preocupante, pois muitas das medidas que se tem imposto à Grécia, mais cedo ou tarde têm vindo a ser aplicadas em Portugal… a única coisa que noto diferente, até ao momento, é que os gregos optaram por ir à luta com greves e desuniões políticas, transformando o País num Estado ingovernável e por cá tem-se observado uma maior aceitação dos sacrifícios e os maiores partidos, apesar de alguns arrufos para lavarem a sua face, na prática unem-se em torno das diretrizes da troika, tudo isto na esperança que assim se contorne a crise.
Paralelamente, enquanto os Açores se sentem ao lado da crise da dívida pública, fica-me uma dúvida, se o Continente soçobrar e os cofres do Estado se esvaziarem de facto, como pagará a Região os seus Funcionários Públicos?
Será que a riqueza produzida pela privada e empresas públicas regionais permite assegurar a despesa pública ou o efeito dominó nas administrações do País tornar-se-á visível e a ideia de que somos autossuficientes cairá de imediato?
Temo que haja muita falácia sobre a riqueza que produzimos nos Açores e o papel impresso na secretarias regionais é altamente indigesto…


Se Portugal soçobrar assim de repente, havemos de arrepiar caminho.
Temos amigos, território, mar, um povo e uma diáspora.
Gostava que a nossa Auto-Determinação fosse progressiva e preparada, mas se acontecer o caos na República, obviamente que devemos cortar o cabo com arrojo e determinação, senão vamos todos ao fundo, como a mítica Atlântida…
Amigos? Arrepiar caminho? Viver da esmola da diáspora? A resposta foi indireta… a autonomia destruiu a autossificiência da Região.
A «autonomia» fantoche outorgada por Lisboa de facto liquidou a nossa auto-suficiência.
Transportou-se para os Açores todos os vícios politicos e partidários de Lisboa: amiguismo, nepotismo, corrupção, burocracia, receber sem trabalhar, esquemas vários e chico-espertismo, decad~encia cultural, maus costumes,etc.
Obviamente com a independência havemos de construir aqui no meio do Atlântico um país do 1º Mundo.
Basta usar a cabeça e trabalhar. Tudo ao contrário do que existe actualmente, onde se utiliza o estomâgo e o pontapé.
Receita tão simples.
Ou V. Exª já não está farto daquela ronha e daquela decadência de Lisboa que nos levará irremediavelmente à tragédia?
Os Açores têm mais condições do que Portugal para ser independentes.
Ou V. Exª acha que Portugal é independente e tem soberania própria?
Então para si os Açorianos que há décadas têm poder legislativo, escolheram os seus governos e alcançaram uma lei de finanças regionais que cativa todos os impostos cá cobrados e ainda receberam milhões da Europa limitaram-se com a Autonomia a copiar os vícios de Lisboa? Mas se ficarem independentes ficam soberanos, purificados e passam a usar a cabeça e a trabalhar? Linda esta argumentação.
É preciso referir que os «milhões da Europa» não foram nem são os «milhões de Lisboa».
E se fôr para viver numa certa «dependência» – coisa incontornável num mundo globalizado – , então que negociemos directamente com Bruxelas, sem intermediários.
A nossa saída está em utilizar uma verdadeira soberania, em todos os aspectos.
Se há quem argumente que os Açores não têm condições para serem independentes, gostava também que me explicassem que condições tem Portugal para ser independente?
E já agora, gostava que me explicassem o que é os Açores ganham com Lisboa? Qual a mais-valia?
Gostava que me explicassem, mas que não venham com aquela «justificação» que um dia me disseram que os Açores não podiam ser independentes porque não tinham refinarias nem indústrias pesadas…
Pois os milhões da Europa adicionam-se ao que veio de Lisboa e só demonstra que nem assim os Açores se tornaram autossuficientes com o aproveitamento da autonomia, se a Grécia com mais de 10 milhões de pessoas e papel de charneira entre a Europa e os otomanos consegue comover Bruxelas, não seriam os Açores pobres e sem argumentos de peso que comoveriam a UE, mas mesmo que fosse, é triste pensar que os Açores queriam ser independentes para mudar o local para onde estenderiam a mão.
Portugal tem mais de 8 séculos como País independente, sobreviveu sozinho aos primeiros séculos cercado de inimigos, depois criou um império e foi o Estado económico mais forte da Europa, perdeu as colónias e sobrevivia e quando passou a estender a mão em democracia e utilizou esta para sobrevivência da classe política no poder sem preparar o futuro é que esta Pátria passou pela humilhação de praticamente não ter esperança no futuro.
Os Açores não ganham com Lisboa ou perdem, aliás não sou pela independência é porque para mim os Açores, com Lisboa, Porto, Algarve, Madeira e outras região SÃO Portugal, compartilham uma hereditariedade genética, língua, tradições, medos e alegria, etc de séculos, até tenho um nome de família com 8 séculos de génese lusa, somos portugueses que vivem nos Açores, não um povo colonizado por portugueses.
Sobre refinarias e indústria pesada não é uma lacuna que vejo para a independência dos Açores, por isso essa não tenho de explicar.